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O primeiro match

No dia 12 de outubro de 1909, os jovens futebolistas do Teuto reuniram-se para organizar a viagem que deu início à trajetória do Coritiba

Em 1912, com a base que participou do primeiro jogo, o Coritiba enfrenta o Internacional, em uma prévia do que seria o Atletiba: partida ocorreu no miolo da pista do Jockey Club, no Prado Velho |
Em 1912, com a base que participou do primeiro jogo, o Coritiba enfrenta o Internacional, em uma prévia do que seria o Atletiba: partida ocorreu no miolo da pista do Jockey Club, no Prado Velho
 
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O primeiro match

Ainda estava escuro quando eles seguiram à estação de trem. A porta de entrada da capital agitava-se graças à inauguração recente da linha São Paulo-Rio-Grande do Sul. Era melhor chegar cedo.

Alguns preferiram a rapidez dos bondes para dirigir-se até o ponto de embarque. No caminho, ao passar pela Igreja da Ordem, ouviram o condutor censurar a invencionice de Maria Aída. Meses antes por pouco ela não pusera a termo seu voo de balão – e à vida (!) – ao en­­­­­ros­car-se na torre da Catedral, virando assunto na cidade.

Outros acharam melhor ir a pé pela Rua da Liberdade para evitar atrasos surpresa por causa de burros cansados empacando as conduções. Ninguém queria arriscar-se a perder a viagem.

Os sócios do clube Teuto Brasileiro chegavam um a um chamando a atenção dos outros passageiros. Todos vestiam a camisa de flanela verde e branca que usariam no match. Na mala, cinto verde estreito, calça branca curta, meias compridas e os sa­­patos amarelos apropriados para o campo que completavam o uni­­forme.

“Às seis horas, quando a má­­quina apitou anunciando a partida, já não mais chovia. O céu para as bandas do nascente mostrava uma nesga clara e azul por onde dificilmente se coavam fracos raios de sol.” O destino: Ponta Grossa.

Frederico Fernando Essen­­felder, o capitão do time, levando a bola de fu­­­­tebol, conferia a lista definida no feriado da se­­mana anterior, o Dia da Amé­rica (12/10/1909). Es­­tavam todos lá. “Em vagão especial seguiram 15 foot ballrs e cer­­ca de 20 sócios, além de convidados”.

Enquanto acomodavam-se nos bancos, um dos excursionistas lia alto a notícia publicada no Diário da Tarde, animando os rapazes: “Reina grande entusiasmo, quer nesta capital, quer em Ponta Grossa, prometendo ser brilhante e inolvidável o festival.”

O trem carregado de erva mate e madeira subia lento até os Campos Gerais. Um pouco de vinho do Porto Matuzalém e cigarros Castellões distraíam na longa viagem. Chegando ao destino, às 12h15 “de longe se avistava na estação, enorme massa de povo, destacando-se inúmeras senhoras e senhoritas.”

“Na gare (estação) estavam alinhados os sócios do Foot Ball Clube Pontagrossense, praças do batalhão de Caçadores do Ponta Grossa etc, sendo a comitiva re­­cebida sob calorosos vivas” e ao som da Banda Lyra dos Cam­­pos.

“Após um lunch no Hotel Pa­­lermo, a comitiva seguiu para o ground ao lado do cemitério”. Com um atraso de cinco minutos começou o match, sendo esta a posição dos combatentes.”

Coritibanos: Arthur Hauer; Alfredo Labsch, Leopoldo Obladen, Teodoro Obladen, Roberto Jucsch, Carlos Schlenker; Fritz Essenfelder, Johann Maschke, Waldemar Hau­er, Alfredo Hauer e Rudolf Kaas­trup. Pontagrossense: Ayres; Debu, Frederico, Mara­­valhas, Joca e Charles; Dawes, Salvador, Mon­­teiro, Jardim e Flávio.

“Foi o jogo ao princípio frouxo, notando-se certa vacilação de ambos os lados. Conhecidas po­­rém as forças e depois de um sério ataque pelos teutos, o match se animou extraordinariamente, prendendo a atenção dos assistentes que seguiam arfantes, as diversas peripécias e situações.”

Aos 17 minutos, aproveitando um passe de Jardim, Charles “deu violento kick” marcando o primeiro gol. “Os teutos, se não conseguiram marcar pontos devem simplesmente ao não conhecimento do terreno e ao acaso, pois alcançaram fazer a bola ir quatro vezes de encontro ao poste de gol.” (o time ainda errou um pênalti)

Às 16h55 o apito do juiz Flyga­re encerrava a partida, que foi seguida por um lauto banquete. Na sobremesa, o presidente do Teuto, Frederico Rummert, dedicou um dos inúmeros brindes. “E sem que tenha havido entre nós vencedores ou vencidos, mas sim soldados que labutam pelo desenvolvimento físico e com este o intelectual da mocidade paranaense, vos aperto a mão amiga em nome de cada um dos nossos companheiros reconhecidos e gratos.”

No dia seguinte, ao partir o trem foram levantados inúmeros vivas.

Ficava para trás o primeiro jogo da história do Coritiba. À frente, um futuro de glórias.

* Os textos entre aspas são das edições dos dias 22, 23 e 25 de outubro de 1909 do jornal Diário da Tarde.

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