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"Momento de reflexão" deixa Coritiba calado

Para evitar confusões e manter o time concentrado na briga contra o rebaixamento, Coxa mantém os jogadores sem falar

O zagueiro Chico lidera a fila de coxas-brancas no embarque para Salvador: caras fechadas | Henry Milléo/ Gazeta do Povo
O zagueiro Chico lidera a fila de coxas-brancas no embarque para Salvador: caras fechadas (Foto: Henry Milléo/ Gazeta do Povo)

Diante da possibilidade crescente de um novo rebaixamento, a diretoria do Coritiba decidiu silenciar os jogadores. Nesse momento complicado – é o 15.º colocado, a dois pontos da ZR –, a aposta é de que quanto menos palavras forem ditas, melhor. A intenção é evitar declarações que possam piorar um ambiente já muito pressionado. Além de tentar manter o time concentrado apenas no rendimento dentro de campo.

"Foi uma decisão do clube porque passamos por um momento de reflexão", justificou o gerente de comunicação do clube, Eduardo Sganzerla. A orientação surgiu antes da vitória por 1 a 0 sobre o Santos, na última quarta-feira. Na véspera do duelo, o clube decidiu treinar com os portões fechados. Durante o confronto, os atletas só falaram com a emissora de televisão que detém os direitos de transmissão do Brasileirão porque o contrato entre clube e tevê os obriga a isso.

Os jogadores encamparam as orientações, entendendo que o momento é delicado e exige uma concentração ainda maior. "Às vezes é bom fechar o grupo", comentou brevemente o atacante Julio César na coletiva de imprensa pós-jogo contra o Peixe. Foi o único a falar com veículos que não detêm os direitos de transmissão.

O silêncio serve para evitar confusões como a protagonizada pelo auxiliar-técnico Tcheco após o Atletiba da semana passada. Indignado com uma informação equivocada passada a ele por um atleta, agrediu verbalmente um repórter da rádio 98FM. Depois, teve de admitir que estava mal informado.

Ontem, o clube liberou que a imprensa fizesse imagens do embarque da delegação no Couto Pereira e no aeroporto – o Coxa enfrenta o Vitória amanhã, às 18h30, no Estádio Barradão, em Salvador –, mas não permitiu conversas com os jornalistas. Estratégia semelhante à adotada pelo rival Atlético, que usa essa política da clausura desde o início do ano.

A única manifestação permitida aos jogadores é por meio das assessorias de imprensa pessoais, que serviriam de filtro na relação com a mídia. De acordo com o departamento de comunicação do clube, a duração dessa medida vai depender dos resultados em campo. "Futebol é assim, tudo acontece no campo", completou Sganzerla. Entre os clubes que brigam contra o rebaixamento, o Alviverde é o único a lançar mão desse tipo de procedimento.

A fuga dos microfones no Alto da Glória aparentemente não se restringe aos atletas. A reportagem entrou em contato com o presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, mas, antes mesmo de ser informado do assunto, o dirigente avisou que não falaria nada. O vice-presidente de futebol, Paulo Thomaz de Aquino, não retornou as ligações.

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