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| Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

“Não dá pra deixar se levar pela rotina”. Assim, o técnico Claudio Tencati define o seu cotidiano à frente do Londrina, onde trabalha há mais cinco anos. É o mais longevo treinador em atividade do futebol brasileiro, no cargo desde 21 de abril de 2011.

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“Tem que tomar cuidado para não cair em vícios de trabalho e no desgaste natural do dia a dia”, reconhece Tencati. “Mas é muito bom também chegar ao ambiente de produção e conhecer todo mundo”, complementa o técnico.

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Em um país onde é regra a alta rotatividade na profissão de treinador (Paraná, Coritiba e Atlético, somados, tiveram dez técnicos em 2016), Tencati, de 43 anos, chegou aos 210 jogos com o Londrina, sendo 103 vitórias, 58 empates e 49 derrotas – aproveitamento de 58%. “É triste perceber que ficar muito tempo no cargo seja notícia. Sinto-me um privilegiado”, alega.

A trajetória de Tencati até a estabilidade passa por fatores extracampo. Em 2009, o Tubarão sofreu intervenção judicial em razão do volume de dívidas trabalhistas e passou, então, a ser administrado pela empresa de gestão esportiva SM Sports, de Sérgio Malucelli e Juan Figger.

Tencati veio para dirigir as categorias de base do Tubarão em 2011. Logo em seguida, recebeu um convite de Malucelli para encarar a Segunda Divisão do Paranaense. O time subiu e Tencati, que já havia trabalhado com o gestor em Irati, não saiu mais. “Temos continuidade. A espinha do nosso time permanece, nunca começamos um ano do zero”,

Natural de Cianorte, onde iniciou a carreira, Tencati conta com diversos acessos, algumas peculiaridades e um pouco do velho fator hora certa no lugar certo. “Nossa primeira meta era sair da B do Paranaense. Depois ambicionávamos chegar à Série D. Pulamos pra C, agora estamos na B. 2016 era pra se manter na Segundona. Quase subimos”. Com 60 pontos, o Londrina ficou três atrás do Bahia, que subiu para a Série A.

Nos bastidores, Tencati é reconhecido como um sujeito tranquilo, de poucos arroubos, e obstinado – até excessivamente. “Nas diversas vezes em que esteve na corda bamba, em fase ruim, ele soube administrar”, avalia Felipe Prochet, ex-presidente do Tubarão. “Ele é tranquilo e compromissado. E os resultados mostram como foi uma escolha certa mantê-lo no comando técnico”, considera Cláudio Canuto, atual presidente do clube. Em julho do ano passado, o técnico teve de ser internado por causa de um princípio de estresse, sem maiores consequências.

Aliás, engana-se quem acredita que um modelo mais moderno de administração é imune à pressão. “A relação com o gestor é boa, mas, naturalmente, temos desgastes de vez em quando. Tem cobrança, normal”, diz Tencati.

Teve, de fato, um momento em que o treinador esteve muito próximo da lista semanal de desempregados na profissão: “Na reta final da primeira fase do Paranaense de 2014, perdemos para o J.Malucelli e confesso que o meu cargo balançou. O Sérgio [Malucelli] me chamou e disse que era a hora de dar uma resposta, que apostava ainda no meu trabalho. Foi um voto de confiança”.

O Londrina se recuperou e acabou campeão paranaense, depois de 22 anos. “É o meu principal momento aqui no clube até então, mas 2017 vai ser ainda melhor”, aposta. O clube disputa quatro competições na temporada: Campeonato Paranaense, Primeira Liga, Copa do Brasil e Série B. “No Paranaense, temos obrigação de, no mínimo, ficarmos entre os quatro. Somos hoje a terceira força do estado”, defende.

Mais experiente e consciente do novo patamar em que o Londrina se encontra, Tencati demonstra otimismo. “A pressão é boa. É sinal de que os resultados estão vindo. E estou mais maduro em relação ao Tencati de 2011. Dá pra sonhar em estar na 1ª Divisão do futebol brasileiro em 2018”.

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