Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
personagem

‘Dá pra sonhar com 1ª Divisão do futebol brasileiro em 2018’, diz Tencati, técnico do Londrina

Há cinco anos no Londrina, técnico mais longevo do futebol brasileiro, Cláudio Tencati crê que o Tubarão pode chegar à elite nacional na temporada 2018

 | Albari Rosa/Gazeta do Povo
(Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo)

“Não dá pra deixar se levar pela rotina”. Assim, o técnico Claudio Tencati define o seu cotidiano à frente do Londrina, onde trabalha há mais cinco anos. É o mais longevo treinador em atividade do futebol brasileiro, no cargo desde 21 de abril de 2011.

“Tem que tomar cuidado para não cair em vícios de trabalho e no desgaste natural do dia a dia”, reconhece Tencati. “Mas é muito bom também chegar ao ambiente de produção e conhecer todo mundo”, complementa o técnico.

Em um país onde é regra a alta rotatividade na profissão de treinador (Paraná, Coritiba e Atlético, somados, tiveram dez técnicos em 2016), Tencati, de 43 anos, chegou aos 210 jogos com o Londrina, sendo 103 vitórias, 58 empates e 49 derrotas – aproveitamento de 58%. “É triste perceber que ficar muito tempo no cargo seja notícia. Sinto-me um privilegiado”, alega.

A trajetória de Tencati até a estabilidade passa por fatores extracampo. Em 2009, o Tubarão sofreu intervenção judicial em razão do volume de dívidas trabalhistas e passou, então, a ser administrado pela empresa de gestão esportiva SM Sports, de Sérgio Malucelli e Juan Figger.

Tencati veio para dirigir as categorias de base do Tubarão em 2011. Logo em seguida, recebeu um convite de Malucelli para encarar a Segunda Divisão do Paranaense. O time subiu e Tencati, que já havia trabalhado com o gestor em Irati, não saiu mais. “Temos continuidade. A espinha do nosso time permanece, nunca começamos um ano do zero”,

Natural de Cianorte, onde iniciou a carreira, Tencati conta com diversos acessos, algumas peculiaridades e um pouco do velho fator hora certa no lugar certo. “Nossa primeira meta era sair da B do Paranaense. Depois ambicionávamos chegar à Série D. Pulamos pra C, agora estamos na B. 2016 era pra se manter na Segundona. Quase subimos”. Com 60 pontos, o Londrina ficou três atrás do Bahia, que subiu para a Série A.

Nos bastidores, Tencati é reconhecido como um sujeito tranquilo, de poucos arroubos, e obstinado – até excessivamente. “Nas diversas vezes em que esteve na corda bamba, em fase ruim, ele soube administrar”, avalia Felipe Prochet, ex-presidente do Tubarão. “Ele é tranquilo e compromissado. E os resultados mostram como foi uma escolha certa mantê-lo no comando técnico”, considera Cláudio Canuto, atual presidente do clube. Em julho do ano passado, o técnico teve de ser internado por causa de um princípio de estresse, sem maiores consequências.

Aliás, engana-se quem acredita que um modelo mais moderno de administração é imune à pressão. “A relação com o gestor é boa, mas, naturalmente, temos desgastes de vez em quando. Tem cobrança, normal”, diz Tencati.

Teve, de fato, um momento em que o treinador esteve muito próximo da lista semanal de desempregados na profissão: “Na reta final da primeira fase do Paranaense de 2014, perdemos para o J.Malucelli e confesso que o meu cargo balançou. O Sérgio [Malucelli] me chamou e disse que era a hora de dar uma resposta, que apostava ainda no meu trabalho. Foi um voto de confiança”.

O Londrina se recuperou e acabou campeão paranaense, depois de 22 anos. “É o meu principal momento aqui no clube até então, mas 2017 vai ser ainda melhor”, aposta. O clube disputa quatro competições na temporada: Campeonato Paranaense, Primeira Liga, Copa do Brasil e Série B. “No Paranaense, temos obrigação de, no mínimo, ficarmos entre os quatro. Somos hoje a terceira força do estado”, defende.

Mais experiente e consciente do novo patamar em que o Londrina se encontra, Tencati demonstra otimismo. “A pressão é boa. É sinal de que os resultados estão vindo. E estou mais maduro em relação ao Tencati de 2011. Dá pra sonhar em estar na 1ª Divisão do futebol brasileiro em 2018”.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.