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Em protesto contra massacre, torcedores do Al Ahly interditam principais vias do Cairo

Torcedores do time egípcio cobram respostas pelo massacre do ano passado, quando 74 pessoas morreram durante uma partida de futebol na capital. 73 suspeitos são julgados no caso

Torcedores do Al Ahly protestam e pedem justiça em frente à Bolsa de Valores egípcia. 74 torcedores do clube morreram em um massacre no ano passado | Reuters
Torcedores do Al Ahly protestam e pedem justiça em frente à Bolsa de Valores egípcia. 74 torcedores do clube morreram em um massacre no ano passado (Foto: Reuters)

Milhares de torcedores do clube de futebol Al Ahly bloquearam várias das principais vias do Cairo nesta quarta-feira (23), em protesto pelo massacre ocorrido no estádio de Port Said no ano passado, em jogo do time da capital contra o Al Masry.

Sobre a Ponte de 6 de outubro, uma das artérias mais importantes do Cairo, centenas de veículos ficaram paralisados devido aos protestos dos "Ultras" - como os próprios torcedores se denominaram -, que se deslocavam para a praça Tahrir. Para interromper o trânsito, os manifestantes queimaram pneus, o que gerou cortinas de fumaça sobre o local.

Segundo o canal de televisão estatal egípcio, os Ultras também cortaram a estação de metrô de Saad Zaglul, no centro, e antes haviam cercado a Bolsa de Valores durante três horas.

O procurador-geral do Egito, Talat Abdullah, pediu ao Tribunal Penal de Port Said, no nordeste do país, que sejam abertas novas investigações sobre o massacre de um ano atrás. Na ocasião, 74 pessoas morreram, a maioria torcedores do Al Ahly.

O porta-voz da Procuradoria Geral, Hassan Yassin, disse que Abdullah fez o pedido após receber novas provas do caso, no qual 73 suspeitos estão sendo julgados.

Estava previsto que o tribunal desse a sentença no próximo sábado, mas a corte adiará o anúncio da decisão para ter tempo para examinar os novos indícios. O atraso causou a ira dos radicais do Al Ahly, que convocaram para hoje as manifestações que levaram o caos ao centro do Cairo.

Os Ultras foram a ponta de lança nos protestos contra o ex-presidente Hosni Mubarak e contra a Junta Militar que governou o país após sua queda, e voltaram a entrar em confronto com as forças de segurança nos distúrbios recentes contra o Governo islamita de Mohammed Mursi.

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