
O Paraná personificou no atacante JJ Morales a reação que precisa encampar na Série B. Repetindo a estratégia do empate com o Ceará (1 a 1), o argentino vestirá novamente a camisa 10 tricolor para o duelo com o Bragantino, hoje, às 21h50, na Vila Capanema.
Uma escolha de Dado Cavalcanti repleta de simbologia. Desde que desembarcou no Durival Britto, em janeiro, Morales jamais foi titular absoluto embora sempre tenha desfrutado da simpatia da torcida. Neste Brasileiro, iniciou em seis partidas e veio do banco em 10. Marcou seis gols, o último na rodada anterior.
Além disso, o estilo de jogo do cabeludo não lembra em nada a elegância dos boleiros acostumados com a 10 ou, como se diz na terra natal do avante, "El Diez". Entretanto, a disposição de Morales é tanta que justifica entortar o conceito da numeração normalmente conferida aos craques.
"Existe uma simbologia no futebol mundial. Na maioria das vezes, o camisa 10 é elegante, de toque refinado. Mas eu decidi dar a 10 para o jogador que tem a maior força interna no grupo", justifica Cavalcanti.
Após permanecer por 16 rodadas no G4, o Tricolor é atualmente o 5.º colocado, com 45 pontos. Está a um ponto de distância do Avaí, na 4.ª posição. Restam apenas nove rodadas para o desfecho da Segunda Divisão.
De acordo com o treinador, a artimanha psicológica para a recuperação na competição já surtiu efeito em Fortaleza. Mesmo enfrentando o Ceará em franca ascensão, e empurrado por mais de 30 mil pessoas no Castelão, o Paraná mostrou força para estancar a série de três derrotas.
"Conversei com o Morales antes do jogo e pedi que ele não fosse o Messi ou o Maradona, mas o Morales que nós precisávamos, que contagiasse os outros. Foi o que aconteceu. E vamos precisar muito mais dessa força interior do que da técnica daqui para frente", complementa Cavalcanti.
Coincidentemente, logo após anunciar a manutenção do atleta com a 10 para hoje, o técnico ainda ouviu uma sugestão de um torcedor-mirim que acompanhava o treino de ontem no Durival Britto. "Quer uma dica? Põe o Morales de titular."
Tímido e ainda lutando para misturar o português ao espanhol, Juan José Morales parece, ou prefere, não demonstrar a importância repentina. "O treinador viu que eu estava fora muito tempo, como aconteceu com vários atletas. Agora depende do meu esforço para continuar", declarou.
Já sobre a condição de "brigador", o mais novo camisa 10 sabe o que se espera dele: "Nós temos de lutar até o último jogo. Suar a camiseta, defender o clube até a morte. O meu trabalho é esse e quando eu faço os gols fico ainda mais feliz".



