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Na volta de Eurico ao Vasco, lembre cinco brigas do cartola com clubes paranaenses

Invasões de campo, articulação nos bastidores, inferno em São Januário... Coritiba, Atlético e Paraná já sofreram nas mãos do novo (velho) presidente do Vasco

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Personagem folclórico do futebol brasileiro, o cartola Eurico Miranda voltou à cena na madrugada desta quarta-feira (12), ao ser eleito presidente do Vasco seis anos após deixar o posto. O estilo truculento do advogado já causou estragos em confrontos do Vasco com Coritiba, Atlético e Paraná. Relembre alguns episódios nada agradáveis do dirigente com os clubes paranaenses.

A Canetada

O rebaixamento do Coritiba à Segunda Divisão, em 1989, teve influência de Eurico Miranda, na época diretor de seleções da CBF. Foi ele quem fez o jogo do Vasco contra o Sport ser adiado para depois do confronto entre Coxa e Santos - o time carioca tinha três jogadores na seleção brasileira.

O Alviverde se recusou a entrar em campo contra o Peixe porque o jogo entre cariocas e pernambucanos foi transferido para três dias depois do jogo do Coxa. O Sport era um concorrente por uma vaga na segunda fase e, portanto, entraria em campo já sabendo o resultado necessário para a classificação.

Resultado: o Coritiba não viajou para encarar o Santos amparado, em tese, por uma liminar concedida pelo STJD. Mas o resultado foi considerado W.O. pela CBF e o clube foi rebaixada à Segundona.

A Primeira Invasão

Em 1999, o dirigente cruzmaltino aprontou com o Paraná. A partida em São Januário, válida pelo Brasileiro, estava empatada por 1 a 1 quando o vice-presidente de futebol entrou em campo e protagonizou uma cena emblemática de seu intempestivo temperamento.

Com dois jogadores a menos – Juninho Pernambucano e Alex Oliveira foram expulsos –, Eurico não aguentou assistir ao zagueiro Mauro Galvão receber o vermelho do árbitro Paulo César Oliveira. Entrou em campo, caminhou até o juiz e disparou: ‘o senhor é um irresponsável. Fazer uma coisa dessas com o estádio cheio do jeito que está. E mais irresponsável é quem escalou o senhor para apitar essa partida’, repetiu, em tom de ameaça. Enquanto isso, a torcida gritava o nome do dirigente.

O tumulto foi tão grande que Paulo César encerrou o jogo escoltado pela Polícia Militar (PM), prejudicando o Tricolor, que teria pelo menos três minutos, mais os acréscimos, para tentar a virada com o time completo contra oito jogadores. Para piorar, na saída do estádio, o carro em que o árbitro estava acabou atropelando um torcedor do Vasco.

A Segunda Invasão

A campanha do título brasileiro do Atlético, em 2001, também teve passagem em que Eurico foi protagonista. Marcada para iniciar às 14h30, a partida em São Januário não começou no horário por intervenção do vascaíno, que só queria que a bola rolasse a partir de 15 horas por causa do calor intenso no Rio de Janeiro.

Houve tentativa de agressão ao árbitro Wilson Souza Mendonça e a membros da deleção atlética, além de muito empurra-empurra no gramado – a PM precisou agir para impedir mais brigas. Finalmente, o duelo começou às 14h55. O nervosismo se transferiu para o campo – o vascaíno Wagner e o atleticano Nem foram expulsou – e prejudicou o Furacão, que acabou goleado por 4 a 0.

Agressões no ônibus

Seis jogadores do Coritiba, além do presidente Giovani Gionédis, foram agredidos por 30 torcedores do Vasco em 2003, após vitória dos cariocas por 2 a 1. A cena só aconteceu por causa do forte laço entre Eurico Miranda e a organizada Força Jovem, responsável pela selvageria. As agressões aconteceram dentro do ônibus da delegação coxa-branca, ainda no estacionamento de São Januário. A organizada tinha trânsito livre pelo estádio, da sala da presidência às áreas exclusivas das delegações.

O motivo? Segundo o Vasco, o meia alviverde Jackson exibiu uma camisa do Flamengo. A discussão virou pancadaria quando a porta foi aberta para a entrada do atacante Gelson. O Grupamento Especial de Policiamento de Estádios já não estava mais no local no momento da confusão.

Jackson, que sofreu várias escoriações, precisou se esconder no banheiro do ônibus. O tumulto só acabou quando seguranças do Vasco deram tiros para o alto.

Questionado sobre o incidente, o cartola tentou minimizar. "Não existe estádio mais seguro do que o de São Januário", afirmou. "Não perguntei e não vou perguntar sobre quem participou do incidente. Isso é assunto para a polícia", acrescentou Miranda, que não temia punição, nem no STJD, nem na Justiça Comum. E realmente nada aconteceu.

Pressão infernal

O jogo da penúltima rodada do Brasileiro de 2004 poderia dar o título antecipado ao Atlético, bem como rebaixar o Vasco à Série B. Para não correr o risco do fiasco, Eurico Miranda comandou uma ‘operação’ antes do confronto em São Januário, tudo para desestabilizar seu adversário. Deu certo.

O episódio começou no deslocamento da delegação atleticana. Escoltado por uma viatura da Polícia Militar, com os dois policiais desarmados, o ônibus teve de parar em uma viela do bairro de São Januário ao defrontar-se com uma turma de vascaínos.

Vinte minutos depois, já com o vidro traseiro quebrado e o veículo chacoalhado, chegou o reforço. "Apareceram policiais montados em cavalos e eles abriram espaço para a gente empunhando espadas", disse à época o então diretor de comunicação do clube, Toni Casagrande.

Quando o Furacão chegou ao estádio, nova surpresa: O minúsculo vestiário estava trancado, havia cheiro de tinta fresca no ar e as arquibancadas estavam abarrotadas de torcedores. "Passamos por uma pressão grande", resumiu o volante Alan Bahia, titular na derrota por 1 a 0, resultado que fez com que o Santos ultrapassasse o Rubro-Negro na classificação.

A recepção também estourou uma briga entre o presidente Mario Celso Petraglia e Eurico no Clube dos 13.

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