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Patrimônio

Paraná apela a leilão para diminuir dívidas

Primeiro pregão da subsede do Tarumã está marcado para 21 de março. Área foi avaliada em R$ 45,5 milhões

Vista da entrada principal da subsede paranista do Tarumã: sem fluxo de caixa, clube teve de aceitar o leilão do local | Walter Alves/Gazeta do Povo
Vista da entrada principal da subsede paranista do Tarumã: sem fluxo de caixa, clube teve de aceitar o leilão do local (Foto: Walter Alves/Gazeta do Povo)

A grave crise financeira do Paraná consumirá um imóvel importante do patrimônio tricolor. No próximo mês, a subsede do Tarumã irá a leilão para bancar parte das dívidas. A medida extrema – mas inevitável, na classificação do clube – foi anunciada ontem pelo conselho diretor paranista.

Alvo de penhora judicial, a área de 44,8 mil metros quadrados, localizada na Avenida Victor Ferreira do Amaral, e avaliada em R$ 45,5 milhões, terá o primeiro pregão no dia 21 de março. Caso não seja vendida, o segundo leilão está agendado para do dia 4 de abril, quando os lances partem de R$ 22,7 milhões, correspondentes à metade da avaliação.

O valor inicial foi considerado justo pela diretoria, segundo nota oficial publicada no site tricolor. Vizinho do endereço paranista, o Pinheirão, cuja área total é de 124 mil metros quadrados, foi arrematado em junho de 2011 por R$ 57,5 milhões.

A venda pretende dar fôlego aos cofres do clube. De acordo com o balanço financeiro de 2011, a dívida paranista é de pouco mais de R$ 37 milhões. No montante, porém, não está contabilizada a multa à qual o Paraná foi condenado referente à negociação do meia Thiago Neves, no valor R$ 9 milhões, podendo chegar a R$ 19 milhões (Leia matéria nesta página).

Dilapidação

Após negociação da subsede do Britânia, onde foi construído um hipermercado no Jardim Botânico, em 1998, o Paraná agora irá se desfazer do antigo endereço do Palestra Itália, ambos clubes que integram a árvore genealógica de fusões que originou o time da Vila Capanema.

"Em verdade o Paraná já vinha perdendo o seu patrimônio diante do montante da dívida, que não conseguia ser paga e mês a mês esse valor ia aumentando, não se enxergava um fim. A situação foi vista como uma infelicidade, mas de forma inevitável", explicou o advogado do clube, Juliano Tetto. A diretoria não atendeu as ligações para comentar o assunto.

O não pagamento de tributos, de direitos trabalhistas e a inadimplência de obrigações com terceiros são as principais causas da caótica vida contábil do Paraná. A situação se agravou com a interrupção do pagamento do Programa de Recuperação Fiscal da Receita Federal (Refis), em 2009.

Sem dinheiro, o Tricolor comprometeu a capacidade de renegociar suas pendências financeiras. Até o atraso de salários – com greve de funcionários – passou a ser recorrente.

O impacto mais recente da falta de crédito foi a impossibilidade de apresentação das certidões negativas de débito, impedindo a formalização do contrato de patrocínio com a Caixa Econômica Federal. Parceria que o clube espera retomar quando conseguir limpar seu nome.

"Com esse leilão o Paraná passaria de devedor para um clube com liquidez, recebendo dinheiro, com capacidade para gerenciar sua vida financeira e retomando as suas metas", acrescentou Juliano Tetto.

Paraná abre cruzada para punir culpados

A diretoria do Paraná diz estar "tomando as providências cabíveis para responsabilizar eventuais causadores de prejuízos à instituição". A medida, que está prevista no Código Civil, pode ajudar o clube a reaver parte dos danos caso se prove intenção ou imperícia administrativa de quem liderava o clube na época em que os débitos surgiram.

"O Conselho Diretor nos encaminhará as medidas a serem tomadas e nós analisaremos para depois elas serem aplicadas", explicou o presidente do Deliberativo, Benedito Barboza.

No caso da venda do meio-­­­campista Thia­­­­­go Neves a investigação que irá definir se houve dano ao clube causado por direto­res ou pessoas a serviço da entidade ficou a cargo de um grupo de trabalho envolven­do o Deliberativo e o Conselho Normativo. Os integrantes estão ouvindo os envolvidos no imbróglio da saída do meia em 2007 antes de tomar uma decisão.

A confusão surgiu quando um dos donos de parte dos direitos econômicos do atleta à época (68%), a Sys­­tema, do empresário Léo Ra­­belo, entrou com processo alegando o não recebimento de sua parte na venda do atleta para o Fluminense. O valor estava depositado em juízo.

O clube acabou sacando indevidamente o dinheiro e não pagou o empresário, o que rendeu multas judiciais sobre o valor devido, que passou de R$ 9 milhões para R$ 19 milhões.

Após a derrota na última instância na Justiça, a atual diretoria do Paraná fez um acordo com Rabelo, reduzindo o débito para o montante original.

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