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Série B

Paranistas mostram amor incondicional para ver o time de novo na Série A

Encarar o frio e a chuva, pular no rio Belém e subir 730 degraus... Conheça a história de alguns torcedores

Jeson e os amigos Luan, Lucas Alvarenga e Rafael com a faixa que promete o apoio incondicional ao Paraná: exemplo de paixão pelo Tricolor | Daniel Castellano/ Gazeta do Povo
Jeson e os amigos Luan, Lucas Alvarenga e Rafael com a faixa que promete o apoio incondicional ao Paraná: exemplo de paixão pelo Tricolor (Foto: Daniel Castellano/ Gazeta do Povo)

A mobilização da torcida do Paraná não se resume a lotar a Vila Capanema, socorrer financeiramente o clube e empurrar o time rumo à vitória – hoje, às 16h20, diante do Guaratinguetá, a casa estará cheia outra vez. O compromisso paranista é de corpo e alma.

Engajamento que Jeson Ema­­noel de Campos traduziu em uma faixa, normalmente posicionada na Reta do Relógio, próxima da entrada da Rua Engenheiros Rebouças do estádio. Nela está gravado: "Nem que neve". "Todo jogo do Paraná o clima atrapalha, chuva, frio... E na Vila é pior, pois a cobertura é para poucos [somente no setor social]. Apesar disso, prometi que estarei sempre do lado do time, nem que neve", diz o administrador de empresas de 32 anos.

Curiosamente, neste ano nevou (há controvérsias, dizem) em Curitiba, após 38 anos. O escrete não pisou o gramado naquele 23 de julho extraordinário. Do contrário, teria apoio mesmo abaixo de zero. "Eu estaria lá, claro, não importa o tempo", reforça Campos.

Outra forma de comprometimento, além da assiduidade seja qual for o clima, tem sido comum. Ainda que isso possa representar risco de morte ou, pelo menos, uma coceira eterna. É o caso de Rodrigo Sanchez. "Prometi que se o Paraná retornar para a Primeira Divisão vou dar um mergulho no Rio Belém. Meu amigo Guilherme vai junto", revela o publicitário de 25 anos.

Com um trecho vizinho do Durival Britto, trata-se do rio mais poluído de Curitiba, de acordo com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP). "Não tem problema. Já são tantos anos de Segunda Divisão [desde 2008 o Tricolor frequenta o andar de baixo do Brasileiro]. Vale o sacrifício. Uma micose qualquer não vai me impedir", afiança Sanchez, que decidiu bancar também um churrasco para festejar o tão aguardado acesso.

A empolgação tem explicação. O Paraná nunca se apresentou tão preparado para chegar entre os quatro primeiros colocados na última rodada, lá no final de novembro. Atualmente, ocupa a quinta posição, com 30 pontos, a mesma marca de Sport e Joinville – o time catarinense tem um jogo a mais.

Performance segura o suficiente para Anna Paula Stubert realizar múltiplos votos. Primeiro, a agente administrativa de 29 anos jurou permanecer um mês sem comer chocolate se o técnico Dado Cavalcanti fosse contratado. "Sou chocólatra e cumpri. Não foi nada fácil", diz.

O embalo da equipe empurrou a torcedora a ir além. Recentemente, Anna não conseguiu vencer os 730 degraus para admirar o pé da cascata no Parque do Caracol, em Canoas, no Rio Grande do Sul. Caso tudo dê certo, será diferente. "Vou descer a escadaria e subir depois", afirma a paranista. E tem mais. "E ainda vou fazer uma tatuagem provando todo o meu amor, pode escrever aí."

Enquanto isso, os torcedores farão outra festa para o confronto desta tarde. O site Paranautas está arrecadando bexigas vermelhas e azuis para fazer um "corredor de recepção", quando o ônibus da delegação tricolor apontar nas proximidades da Vila Capanema. A expectativa da diretoria é de público superior a 10 mil pessoas no estádio.

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