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série b

Ultimato de jogadores do Paraná tenta apressar solução de problemas

Pronunciamento do capitão Lúcio Flávio ontem colocou a diretoria paranista na parede: ou clube dá satisfações sobre salários atrasados ou jogadores entram em greve após o jogo de terça-feira contra o Icasa

Lúcio Flávio foi o porta-voz de jogadores e comissão técnica no pronunciamento de ontem sobre situação financeira complicada do Paraná Clube | Reprodução/ RPCTV
Lúcio Flávio foi o porta-voz de jogadores e comissão técnica no pronunciamento de ontem sobre situação financeira complicada do Paraná Clube (Foto: Reprodução/ RPCTV)

A paciência acabou. Os jogadores do Paraná definiram a próxima terça-feira, dia em que a equipe enfrenta o Icasa, pela 17.ª rodada da Série B, na Vila Capanema, como data final para o clube dar uma resposta sobre o crônico problema de atrasos salariais. Caso isso não ocorra, o elenco promete fazer uma paralisação a partir do dia seguinte.

A medida foi anunciada na manhã de ontem, em pronunciamento do capitão Lúcio Flávio após o treino na Vila Olímpica. Ele falou em nome dos jogadores e dos membros da comissão técnica, que também estavam presentes.

"A partir de quarta-feira (dia 20), se não tivermos nada resolvido, vamos parar, porque já passou do limite. São mais de cem dias de atraso de salários e chega um momento em que não estamos mais aguentando. Todos temos compromissos a honrar, como cidadãos, como pais de família. Esperávamos ter alguém da diretoria aqui para nos passar algo de ordem financeira, o que não ocorreu nesta semana. Por isso optamos por nos reunir aqui e fazer este anúncio", disse o camisa 10.

Durante o pronunciamento, o líder do grupo afirmou ainda que "90% dos jogadores" enfrentam o problema dos atrasos, o que indica que uma minoria tem recebido os ordenados em dia. Situação que gera ainda mais desconforto no grupo. Casos do volante Marcos Serrato e outros pratas da casa, do volante Lucas Otávio e do meia Pedro Castro, emprestados ao Tricolor pelo Santos e de demais atletas que recebem suas partes de empresários.

"O Serrato, como veio da base há pouco tempo, tem um salário baixo. A diretoria tinha acertado com ele até o mês de junho, até mesmo para se resguardar, então ele não está com o mesmo atraso dos outros. Eles estão controlando, porque se passar de três meses sem receber ele fica livre para sair. Mas a situação está muito complicada", explicou o empresário Rafael Stival, responsável pela carreira do jogador.

O presidente do Santos, Odílio Rodrigues, respondeu através da assessoria de imprensa que o clube está em dia com suas obrigações, sendo responsabilidade do Paraná cumprir com sua parte do acordo.

"No caso do Lucas Otávio, o Santos responde por 85% do salário, sendo o restante do Paraná. O salário do Pedro Castro é divido 50% para cada clube. Já o do Tiago Alves é integralmente pago pelo Paraná", afirma a nota. "O Santos ressalta que os valores referentes à sua parte do acordo estão devidamente quitados, mas cabe ao clube paranaense acertar esses valores pendentes", complementa.

Na última sexta-feira, véspera da vitória por 3 a 1 sobre o Vila Nova, os jogadores paranistas publicaram uma carta que relatava a penúria financeira do clube e convocava a torcida a comparecer à Vila Capanema — na ocasião, o Tricolor teve seu maior público (6.559 pagantes) e renda (R$ 94.450) na Série B. Após a partida, o zagueiro Gustavo retomou o assunto e afirmou que a diretoria "perdeu a credibilidade".

"Escrevemos na carta que precisaríamos ter pelo menos o dobro de torcedores em nosso estádio e foi o que aconteceu, tivemos um bom público. Mas nossa dificuldade, nossa luta aqui, é maior do que isso", afirmou Lúcio Flávio ontem.

A diretoria do Paraná, através do vice-presidente de futebol, Celso Bittencourt, afirmou que está fora de Curitiba justamente para buscar soluções financeiras. "Tanto eu como o presidente Rubens Bohlen estamos em São Paulo neste momento. Somente amanhã iremos nos pronunciar oficialmente sobre a ação dos jogadores", prometeu.

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