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"Batalha das batalhas"

Pago com dinheiro público, curso do PCdoB prega clima de “guerra” nas eleições

Bandeiras do PCdoB, partido de esquerda
Fundação do PCdoB recebe milhões de reais para custear eventos de doutrinação política. (Foto: Arquivo / PCdoB)

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O tom das falas lembra os discursos de lideranças estudantis em uma reunião de DCE. A falta de público, presencial e virtual, contrasta com a urgência do tema destacada pelos organizadores. O clima de “nós contra eles” domina o ambiente, onde palavras como “guerra” e “batalha” são evocadas no contexto das eleições de 2026. Assim foi mais um evento de doutrinação promovido pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), pago com o seu dinheiro.

O termo “doutrinação” não é um exagero. É assim que as fundações ou institutos vinculados aos partidos são descritas na legislação eleitoral. Fundações como a Maurício Grabois, integrante da estrutura do PcdoB e uma das organizadoras do “Seminário Guerra Cultural e Eleições em 2026”, que foi acompanhado pela Gazeta do Povo.

A entidade faz parte da estrutura do PCdoB e tem como objetivo declarado “desenvolver a teoria marxista no Brasil e contribuir para a formulação de um Projeto Nacional de Desenvolvimento voltado ao socialismo”. E é bancada totalmente por recursos vindos do Fundo Partidário.

Fundações e institutos dos partidos são financiados por dinheiro público

Esse fundo é bancado por diversas fontes financeiras. Multas aplicadas aos partidos em ações na Justiça Eleitoral formam uma parte. Doações de apoiadores formam outra. Mas o grosso do dinheiro vem mesmo das dotações orçamentárias da União. Em português: dinheiro dos impostos pagos pelos cidadãos, todos eles, independente se apoiam ou não a causa comunista, marxista ou socialista.

Em todo o ano de 2025, o PCdoB recebeu cerca de R$ 19,8 milhões do Fundo Partidário – que é diferente do Fundo Eleitoral, aquele que é destinado exclusivamente às campanhas a cada dois anos. Desse total, R$ 4,291 milhões foram injetados na Fundação Maurício Grabois.

Em 2026 os valores devem se aproximar desses do ano passado, uma vez que até maio o partido havia recebido quase R$9 milhões do fundo e repassado, até março, R$ 1,1 milhão à fundação. É daí que vem o dinheiro utilizado para as ações de doutrinação, como o evento em questão. Detalhe: o vídeo do encontro, postado no YouTube, estava com menos de 330 visualizações no momento da publicação desta reportagem.

"Lado de lá" precisa ser combatido, disse deputado do PT

Durante o seminário, o tom belicoso dominou o painel. “De fato nós estamos falando de uma guerra, e esta eleição de 2026 se tratará disso, guerra”, resumiu o deputado federal Rubens Pereira Junior (PT-MA).

A justificativa dada pelo parlamentar é a de que “o lado de lá” já estaria operando uma estrutura de desinformação na internet, que precisa ser combatida. A opinião é compartilhada pelo professor João César de Castro Rocha, para quem “o encontro das redes com as ruas” garantiu a vitória da “extrema direita” nas eleições de 2018.

Em termos gerais, o que preocupa os participantes do seminário do PCdoB é o fato de a direita no Brasil ter, segundo eles, levado a campanha política para um novo patamar. A maior presença na internet, palco antes dominado pela esquerda, e nas redes sociais com um discurso voltado ao sentimento e à fé parece ter sido um golpe duro de ser assimilado pelos simpatizantes do marxismo.

Campanha eleitoral não tem mais uma "Quarta-feira de Cinzas"

Usando uma analogia do Carnaval, Rocha afirmou que antes havia uma espécie de “Quarta-feira de Cinzas” após a eleição. Nas palavras do professor, o conflito cessava para dar lugar à governabilidade. Para ele, a realidade agora é outra.

A comparação com o Carnaval é válida, segundo o professor, porque há uma data de início e, principalmente, um final pré-determinado. Segundo ele, o período segue uma espécie de “protocolo de hipocrisia”, onde, mesmo contrariado, o candidato vencido admite a derrota e o ganhador deixa as arestas de lado e proclama o fim da campanha para dar início ao período de governo.

“Este modelo não está mais vigente. A extrema direita tornou esse modelo obsoleto. Trump não reconheceu a derrota para Biden em 2020, Bolsonaro não reconheceu a derrota para Lula em 2022. A extrema direita não faz campanha eleitoral, ela vive em campanha eleitoral permanente”, disse.

E uma das consequências desse estado de campanha permanente, destacou Rocha, é que para ele a direita no Brasil usa constantemente expedientes até então permitidos apenas no período pré-eleitoral. “Golpes baixos, abaixo da linha da cintura, são comuns na campanha. Mas ao término reorganiza-se o tecido político para a governabilidade”, completou.

Os tais golpes baixos, destacou, se mostram de várias formas. Uma delas é o que no seminário foi descrito como a hiperpolitização do cotidiano. Em outras palavras, para os palestrantes, todo evento social ou cultural pode ser “sequestrado” pela direita para alimentar o conflito. A vida privada e os costumes tornaram-se a linha de frente da batalha.

Esquerda defende uso da IA para defender a democracia

E para vencer essa e outras batalhas, e consequentemente a guerra das eleições, as táticas propostas pela esquerda são muitas. Uma delas é abandonar a postura de passividade e operar um plano de ofensiva de execução rápida na “defesa da democracia”.

A longo prazo, o sonho é criar redes sociais nacionais que garantam a transparência e a regulamentação compartilhada. A curto prazo, é criar uma rede de núcleos municipais de defensores da democracia, com acesso a um repositório nacional de modelos jurídicos para questionar instantaneamente o que for identificado como crimes contra a honra e desinformação.

Outro ponto é romper a hegemonia conservadora nas redes com o uso de inteligência artificial generativa. Com isso, a esquerda poderá produzir conteúdos “educativos e positivos” em escala, gerando engajamento orgânico baseado em direitos e na luta de classes.

Mas, como proposto no seminário, se algum candidato de direita usar a mesma tecnologia para, por exemplo, simular uma fala, a inelegibilidade deve ser declarada de forma imediata, sem aguardar o trânsito em julgado. Afinal, para a esquerda, democracia só existe se for “do lado certo”.

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