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Justiça

Apenas três ocorrências por desacato foram atendidas nos postos dos Juizados Especiais Criminais do Tribunal de Justiça do Paraná instalados nos estádios em sete jogos do Campeonato Paranaense 2013. O número é menor do que no ano passado, quando oito casos – quatro por posse de drogas, três por provocação de tumulto e um por desacato – foram registrados, todos em Atletibas. A criação dos juizados especiais nos estádios é uma das ações que visa ao maior controle das torcidas. Eles começaram a operar em fevereiro de 2011. Um posto avançado é montado dentro do estádio em dias de jogos de alto risco (clássicos e confrontos com grandes públicos) para registrar e julgar as os crimes de menor potencial ofensivo. Até o fechamento desta edição, a Polícia Militar do Paraná não havia informado quantas ocorrências relacionadas a dias de jogos foram registradas em 2012.

Para os agentes policiais do estado, a estratégia da Fifa de colocar seguranças particulares (os stewards) dentro dos estádios é algo interessante para ser replicado no Brasil pós-Copas. "O jogo de futebol é um evento privado em que colocamos uma força pública, seria melhor ter a PM reforçando a área externa", explica o coronel Milton Isack Fadel Junior, responsável pelo 1.º Comando Regional da Polícia Militar.

Ele afirma que o treinamento tem sido cada vez mais frequente, especialmente por causa da proximidade dos eventos da Fifa, e reconhece que há insatisfações dentro da corporação em dias de jogos. "Temos uma carga de trabalho muito grande e, de vez em quando, há uma sobrecarga..."

Além do excesso na jornada, a falta de preparo emocional da PM também preocupa.

"Um maior policiamento ostensivo intimida o indivíduo que quer confusão, isso desde que seja com uma tropa treinada. A polícia é despreparada para lidar com a multidão, que tem uma psicossociologia diferente do indivíduo", diz o sociólogo Mauricio Murad.

Os soldados também reclamam das condições de trabalho em dia de futebol. Dois conversaram com a reportagem da Gazeta do Povo sob a condição de não serem identificados.

"Muitos de nós vão trabalhar irritados, insatisfeitos porque somos os primeiros a chegar ao estádio, últimos a sair, em dias que muitas vezes, seria de folga, sem remuneração extra", conta um deles.

Seu colega cita a falta preparo para atender um público tão específico, que é a torcida. "Reciclagem, na polícia, é uma mosca branca: não existe. Temos o treinamento na escola de formação e depois, vamos levando", afirma ele, que estava em campo no dia que torcedores do Coritiba invadiram o gramado do Couto Pereira após o time ser rebaixado para a Série B, em 6 de dezembro de 2009. "A pior situação que enfrentei", resume.

O Estado também tem pro­­blemas para manter programas de prevenção. "É muito mais difícil porque depende de questões da sociedade, da participação de várias instituições, da infraestrutura urbana, da escola, que está fragilizada", fala o coordenador do Núcleo de Segurança Pública e Privada da Universidade Tuiu­­ti, Algacir Mikalovski.

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