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Presidente do São Paulo anuncia que renunciará na terça-feira (13)

Carlos Miguel Aidar (centro) na apresentação do ex-treinador Juan Carlos Osorio, em junho de 2015 | Sebastião Moreira/EFE
Carlos Miguel Aidar (centro) na apresentação do ex-treinador Juan Carlos Osorio, em junho de 2015 (Foto: Sebastião Moreira/EFE)

O presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, vai se reunir na terça-feira (13) com ex-membros da diretoria e comunicar que renuncia ao cargo. Acuado pela crise política e isolado pela saída de antigos aliados, o dirigente tomou a decisão durante o fim de semana e sai para evitar um processo de impeachment, que já tem sido articulado por opositores.

Aidar convocou um encontro com antigos colegas de gestão na próxima terça-feira para oficializar a saída do cargo e entregar ao Conselho Deliberativo a carta de renúncia. O presidente do órgão, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, vai passar a assumir a presidência do clube por 30 dias e, ao fim do prazo, terá de convocar novas eleições. O mandato do sucessor de Aidar vai até abril de 2017.

Os acontecimentos da última semana minaram a força política de Aidar e o isolaram no cargo. No sábado, o presidente recebeu o comunicado de que o grupo político liderado pelo seu antigo vice, Júlio Casares, havia retirado o apoio e passava a integrar a oposição. Na sexta, o presidente se reuniu com as suas filhas e repensou a decisão de continuar no comando diante de tantos conflitos.

A crise política no clube se acelerou na última semana com o rompimento entre o presidente e Ataíde Gil Guerreiro, ex-vice de futebol. Os dois brigaram na segunda-feira e na sequência, Guerreiro foi exonerado. A saída do dirigente responsável por cuidar do departamento de futebol motivou um princípio de demissão coletiva na diretoria e Aidar resolveu, então, solicitar a todos que entregassem seus cargos.

Na quinta-feira, Aidar convocou uma reunião com ex-presidentes do clube para conversar sobre as mudanças na gestão e pedir para que acompanhassem o trabalho de reestruturação de diretoria. Embora ainda estivesse confiante, o dirigente viu o e-mail do ex-aliado Ataíde Gil Guerreiro ser publicado na imprensa com acusações graves à gestão, como denúncias de irregularidades e desvio de dinheiro em transferências. No texto, Ataíde comenta que gravou uma conversa entre os dois para provar.

O dossiê preparado por Ataíde motivou a convocação de uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo. No próximo dia 22, os membros devem ir ao Morumbi para ouvir a gravação da conversa e escutar o depoimento do ex-vice de futebol. A oposição também pretendia articular um impeachment, com a entrada de um ofício contra o presidente do São Paulo.

Aidar assumiu o cargo em abril de 2014, como antecessor de Juvenal Juvêncio. Foi a segunda passagem do dirigente pelo clube. A primeira foi entre 1984 e 1988, quando o São Paulo conquistou como principal título o Campeonato Brasileiro de 1986.

Novo presidente

Carlos Augusto de Barros e Silva, conhecido como Leco, será o novo presidente do São Paulo. Há dois anos, antes de Carlos Miguel Aidar ressurgir na política da equipe, era quem seria indicado para a sucessão de Juvenal Juvêncio.

Aos 75 anos, Leco via naquela a sua última oportunidade para ser presidente e realizar um sonho que sempre carregou.

Foi em uma reunião no Morumbi, com toda diretoria presente, que Juvêncio anunciou que era Aidar, e não Leco, o seu candidato, surpreendendo a todos.

Silva chegou a cogitar tentar concorrer nas eleições mesmo sem o apoio do então presidente, mas, frustrado e decepcionado, acabou desistindo.

“O mundo dá voltas. Olha como são as coisas. É o imponderável. Vou receber a presidência das mãos de quem me tirou ela lá trás”, afirmou Leco, que é hoje presidente do Conselho Deliberativo do clube e quem, segundo o estatuto, fica com a presidência em caso de renúncia.

Assim que se tornar oficial a saída de Aidar, ele terá 30 dias para convocar uma eleição. “Acho que tenho grandes chances de sair como candidato único”, completou.

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