Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Futebol

Gabiru: “Só quero arrumar um time”

Ídolo no Atlético e herói no Internacional, Adriano parte para recomeço no Guarani após passar 120 dias sem clube na sua casa em Curitiba

Adriano com os gêmeos Luiggi (esq.) e Lucca. Até hoje o gol do título mundial pelo Inter comove o camisa 8: “Fico emocionado até hoje. Foi lindo, o mais importante da minha carreira" | Valterci Santos/Gazeta do Povo
Adriano com os gêmeos Luiggi (esq.) e Lucca. Até hoje o gol do título mundial pelo Inter comove o camisa 8: “Fico emocionado até hoje. Foi lindo, o mais importante da minha carreira" (Foto: Valterci Santos/Gazeta do Povo)

O gesto sai quase inconsciente. Adriano pensa por alguns segundos, abaixa a cabeça e começa a falar da vida. Da carreira especialmente. O encontro, na terça-feira passada, é para tentar entender o que aconteceu com o Gabiru. Ídolo dos atleticanos e herói do título mundial do Internacional, o jogador de 31 anos não atravessa uma fase lá muito boa. Não joga bola a sério, valendo três pontos, desde quando deixou o Goiás, em dezembro do ano passado. "Tenho de dar dois passos atrás", admite. "Preciso arrumar um clube", diz, como quem faz uma prece.

A verdade é que nem o próprio Adriano sabe o que de fato houve de errado. Tudo vinha caminhando bem. Do Atlético para o futebol francês (Olympique de Marseille), outra passagem pela Baixada, Cruzeiro, Internacional... Entre uma mudança e outra de uniforme, convocações para a seleção brasileira.

A ruptura parece ter ocorrido justamente no momento mais glorioso da trajetória de Gabiru. Voltando no tempo: 17 de dezembro de 2006, aos 31 minutos do segundo tempo. Sobe a placa no Japão. Sai Fernandão, entra Adriano. Cinco minutos depois, o armador recebe um passe primoroso de Iarley e vence o goleiro Valdés, do Barcelona. O Internacional é campeão mundial. Gabiru faz história.

"Fico emocionado até hoje. Foi lindo, o gol mais importante da minha carreira", recorda ele, que participou com destaque dos festejos do centenário colorado, no fim de semana passado – a camisa da conquista foi leiloada por R$ 45 mil, dinheiro revertido ao Instituto do Câncer Infantil do Rio Grande do Sul.

Ali, porém, o mundo do jogador virou. A euforia logo se transformou em decepção. As vaias reapareceram. O Beira-Rio assustava. "Magoado não, mas fiquei triste. Mudou o presidente (Fernando Carvalho deu lugar a Vitório Piffero) e não me quiseram mais. Sei lá. Para festa sempre me chamam, mas ninguém liga perguntando como estou", afirma. "É complicado. Por mim ficaria o resto da vida no Inter", completa, antes de emendar a frase mais usada durante a entrevista. "Só quero arrumar um time. Se Deus quiser, vou fazer outros gols importantes."

Do Internacional, Adriano passou sem brilho por Figueirense, Sport e Goiás. Em Santa Catarina ficou dois meses. Somente até pintar o convite de Geninho, com quem havia sido campeão brasileiro em 2001 pelo Atlético, para jogar no Leão pernambucano. Geninho, porém, logo saiu. E o contrato de Gabiru não resistiu a uma severa discussão com o novo treinador, Nelsinho Baptista.

"É um bom jogador, que me ajudou bastante em 2001. Não sei quais foram os motivos para ter sido meio que descartado no Inter. Lá no Sport Recife teve altos e baixos, não reeditou aquele Ga-biru que eu conheci em 2001", explica Geninho. "Torço para que ache o seu espaço novamente."

A chance surgiu no Goiás, por indicação de Vadão, outro velho conhecido dos tempos de Furacão. Outra vez o parceiro não resistiu a uma série de resultados negativos. O jogador estava órfão novamente. Para piorar, quando conseguia entrar em forma, tinha de parar por motivo de lesão.

"Ele já chegou um pouco marcado. Não conseguiu ter sequência. Acabei acertando o time com outros jogadores", afirma Hélio dos Anjos, treinador da equipe goiana. "Ele foi um atleta que não me deu qualquer tipo de problema. Só precisa de um técnico que o conheça, que aposte nele", acrescenta.

"Precisamos resgatar esse menino, porque futebol ele tem para jogar onde quiser. Com três jogos é titular de qualquer time do mundo. Torço muito por ele", declara o preparador físico Robson Gomes, também do Goiás.

A saída sem nem sequer ter deixado um gol como recordação em Goiânia incomodou Adriano. E fechou portas. O tempo passava e nada de voltar a trabalhar. Futebol para o campeão do mundo se resumia a peladas esporádicas e brincadeiras com os filhos gêmeos Luiggi e Lucca no quintal de casa. A rotina de "dono de casa" incomodava. Mais de 120 dias de angústia e depressão. Mas o telefone voltou a tocar na quarta-feira. Era o empresário informando a transferência para o Guarani, de Campinas. Enfim, Gabiru voltará a sorrir. E a jogar bola.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.