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Luta

Golpe a um minuto do fim evita o fim da dinastia Silva no octógono

Lutador paranaense apanha sem parar de americano durante 20 minutos, mas encontra um triângulo no término da luta e segue invicto no octógono americano

Anderson Silva tenta imobilizar o americano Chael Sonnen, em um dos raros momentos que esteve com o domínio do combate. Lutador paranaense foi massacrado, mas triunfou com nocaute no fim da luta | Jon Kopaloff/Zuffa LLC
Anderson Silva tenta imobilizar o americano Chael Sonnen, em um dos raros momentos que esteve com o domínio do combate. Lutador paranaense foi massacrado, mas triunfou com nocaute no fim da luta (Foto: Jon Kopaloff/Zuffa LLC)
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Ele falou, intimidou, provocou – e por muito pouco não cumpriu. Durante quase cinco rounds do UFC 117, na madrugada de ontem, em Oakland, nos Estados Unidos, Chael Sonnen esteve perto de ser o primeiro homem a derrotar o curitibano Anderson Silva no Ultimate Fighting Championship (UFC). Com amplo domínio dentro do octógono, o americano simplesmente surrou o campeão dos médios nos vinte minutos iniciais do combate. Quando tudo parecia perdido, a 1min28s do fim, porém, um triângulo perfeitamente aplicado pelo brasileiro impediu o término dos quatro anos da "dinastia Silva" no topo do mundo das artes marciais mistas (MMA).

Apesar do golpe salvador de "Spi­der", que serviu para calar o rival fa­­­lastrão que havia prometido roubar-lhe o título e dar-lhe a aposentadoria precoce, a imagem do lutador após o embate deixou claro o tamanho do sufoco do qual ele conseguiu escapar.

Cabeça baixa, muito suor e es­­coriações no rosto, além de um olhar irreconhecível – que entrelaçava alí­­vio e frustração – era o retrato do paranaense por adoção (ele nasceu em São Paulo) no retorno ao vestiário.

Pouco antes, também com o mesmo aspecto estafado, enquanto posava com o cinturão, ele mal conseguia falar na entrevista oficial.

"Sei que não é desculpa, mas não estou 100%. Trinquei minha costela nos treinos e o médico pediu para eu não lutar. Mas em consideração a vocês [torcedores] eu vim aqui hoje", disse, ao som de vaias de boa parte da Oracle Arena.

Talvez somente uma lesão consiga explicar o fraco desempenho de Anderson desde o primeiro as­­salto. A confiança de­­mons­­trada no momento do toque das luvas – olhar compenetrado no rival, ao con­­trário de Sonnen, que encarava o chão – sumiu quando a primeira sequência de gol­­pes do wrestler en­­trou.

A partir daí, até o fim do encontro, o que se viu foi uma grande superioridade do lutador da casa, que castigava o brasileiro sem dó e até chacoteava em alguns golpes. No chão, em situação desfavorável, "Spider" ficou perto de ser nocauteado ainda no primeiro round.

No intervalo do terceiro para o quarto assalto, o técnico do americano parecia prever o desfecho da luta. "Estou orgulhoso de você, mas a luta ainda não acabou", disse, em um momento em que a decisão por pontos já coroaria seu pupilo.

O curitibano deu sinais de melhora na sequência, mas invariavelmente acabava anulado pelo incisivo grounding pound [jogo de chão] do adversário.

Logo no início do quinto round, quando só um nocaute ou finalização restava como esperança, "Spider" tentou atacar, escorregou e mais uma vez encontrava-se em meia-guarda. E foi justamente aí que ele provou que os 11 triunfos anteriores no UFC, sete deles em defesas de título (a maior da história do torneio), vieram não só por talento e dedicação. Era preciso algo mais.

"Esta luta é daquelas que fazem as lendas", resumiu Dana White, um dos donos do UFC, e que abertamente vinha criticando Anderson por seu comportamento "desleixado" nos últimos confrontos. "Esse cara [Anderson] apanha por quase cinco rounds, mas acha um jeito de vencer", completou.

Ao linguarudo Sonnen, restou chorar suas mágoas. "Estou devastado. No fim do dia, ou você tem sua mão erguida, ou não. Eu não tive. Não posso esconder. Meu coração foi partido".

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