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Fórmula Indy

Hélio Castroneves: "Foi muito emocionante ver minha família rezando no telão"

Em entrevista exclusiva, tricampeão das 500 Milhas fala do processo na Justiça americana e das vitórias em Indianápolis

Hélio Castroneves prefere não pensar na possibilidade de se tornar o maior vencedor em Indianápolis em um futuro próximo | Robert Laberge / AFP
Hélio Castroneves prefere não pensar na possibilidade de se tornar o maior vencedor em Indianápolis em um futuro próximo (Foto: Robert Laberge / AFP)

Um enredo de filme de Hollywood. Esta, talvez, seja a melhor descrição do que aconteceu na vida de Hélio Castroneves nos últimos meses. O brasileiro que desde outubro do ano passado respondia um processo na Justiça americana por sonegação fiscal, passou de "oitavo maior sonegador da história dos EUA", segundo a revista Time, a um dos nove maiores vencedores das 500 Milhas de Indianápolis em menos de 40 dias.

Em uma entrevista repleta de emoção e fé, o tricampeão da tradicional prova americana fala da importância dos fãs ao longo do processo, que sempre acreditou na absolvição e como foi o capítulo final deste conto de fadas ao vencer as 500 Milhas de Indianápolis. "Nunca duvidei de que seria inocentado, até porque sempre confiei no amor de Deus".

Hélio, você tem uma relação especial com Indianápolis e parece que sempre que chega o mês de maio as coisas começam a dar certo para com o carro número 3. Isso realmente acontece? O Indianápolis Motor Speedway tem uma energia diferente?

Não é sempre que dá certo, né? Afinal há sete anos não vencia em Indianápolis, mas, com certeza, gosto muito deste circuito e de correr aqui. Ele é especial para mim.

Depois de tudo o que aconteceu com você entre outubro de 2008 e abril deste ano, dá para dizer que esta vitória tem um gosto mais especial que as outras duas de 2001 e 2002?

Acho que não. Cada vitória é diferente da outra. Cada vitória nas 500 Milhas de Indianápolis curti de maneira diferente, até porque estava em momentos diferentes.

Qual das três vitórias nas 500 Milhas foi a mais difícil?

Como eu disse são diferentes. Em 2001 foi a minha primeira corrida em Indianápolis, em 2002 a bandeira amarela veio para nos ajudar (Hélio estava economizando gasolina e poderia perder a liderança para o canadense Paul Tracy, se não fosse por uma bandeira amarela a duas voltas do final) e este ano teve toda essa dificuldade que todo mundo sabe. Então acho que todas foram muito difíceis.

Qual foi a primeira coisa que passou na sua cabeça quando você terminou de contornar a curva 4, entrou na reta e viu o diretor de prova com a bandeira quadriculada na mão?

Cara, quando eu olhei para o telão e vi meus pais e minha irmã rezando, disse para mim mesmo: "Cara, se concentra! Está faltando pouco!" Mas foi muito emocionante vê-los.

Nas últimas quatro temporadas o piloto que venceu as 500 Milhas de Indianápolis conquistou o título de campeão da temporada. Bom sinal, não?

Não sei. Pode ser um bom sinal, mas precisamos trabalhar duro para vencer mais vezes e estar sempre forte em todas as corridas.

Você se tornou um dos nove maiores vencedores da Indy 500 com três vitórias, uma atrás de A. J. Foyt, Al Unser e Rick Mears. Já deu para pensar em se tornar o maior campeão das 500 Milhas?

Não penso nisso de me tornar "o maior vencedor das 500 Milhas de Indianápolis", mas vou trabalhar muito para chegar, pelo menos, ao nível destas lendas do automobilismo americano.

O Al Unser tinha 48 anos quando venceu pela quarta vez a prova. O AJ Foyt tinha 42 e o Rick Mears 39. Você está com 34. Tempo não parece ser problema para tentar superar a marca deles.

Eu não gosto de prever nada. É melhor deixar as coisas acontecerem.

Você foi aplaudido de pé por centenas de milhares de pessoas em Indianápolis, de novo. Você acha que já é um ídolo do automobilismo americano?

Não é para tanto. Estou aqui, fazendo meu trabalho, lutando para conquistar minhas vitórias. Só isso. O resto é consequência.

Mal acabou as 500 Milhas e você já tem de pensar na corrida de Milwaukee, no próximo domingo. Depois de um mês inteiro andando em um super oval de 2,5 milhas, ir para uma um oval curto de apenas uma milha é uma dificuldade a mais?

Sem dúvida! É outro tipo de acerto, outro tipo de tocada, mas... fazer o quê? Faz parte e estamos acostumados a isso.

Com a vitória nas 500 Milhas de Indianápolis você pulou para a vice-liderança da temporada, só cinco pontos atrás do Dario Franchitti, que assumiu a ponta, sendo que você não participou da primeira corrida da temporada em St. Petersburg. Isso te dá ainda mais vontade de ir atrás dessa primeira colocação na temporada?

Claro que sim! Ano passado, o título (da temporada) bateu na trave. Espero conseguir este ano.

Após toda a confusão na Justiça americana, você se via nas pistas novamente ainda neste ano? Qual foi o momento mais difícil do processo?

Olha, para ser sincero, prefiro nem falar mais disso. Isso tudo já passou. É uma página virada na minha vida. Agora só quero pensar em correr.

Como foi a reação do torcedor brasileiro durante o processo da justiça americana?

Foi incrível! Meus fãs sempre me deram muito apoio e sempre estiveram junto comigo. Quero agradecer muito a todos pelo pensamento positivo, pelas preces e sempre terem me apoiado.

Em algum momento você chegou a duvidar da sua absolvição?

Não! Nunca duvidei de que seria inocentado, até porque sempre confiei no amor de Deus.

Você encara esta vitória nas 500 Milhas de Indianápolis como uma resposta a quem te criticou e te julgou antes da sentença?

Não. Aprendi que nunca devemos julgar ninguém. Temos de amar ao próximo sempre.

O que foi mais difícil? Ganhar três edições das 500 Milhas de Indianápolis ou o programa americano da rede te televisão ABC "Dancing with the Stars", versão americana do ‘Dança dos Famosos’?

Olha, são situações bem diferentes. Mas são duas competições bem estimulantes.

Hélio, para encerrar, em qual momento você ficou mais feliz este ano: quando foi considerado inocente pela Justiça americana ou quando cruzo u a "brick yard" (linha de chegada do autódromo de Indianápolis que ainda tem cerca de um metro dos tijolos que formaram o primeiro pavimento do circuito) em primeiro?

Acho que não dá para comparar. Considero tudo na minha muito importante. Entrego tudo nas mãos de Deus. Ele sabe o que vai ser melhor na minha vida.

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