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Copa 2014

Impasse sobre custo atrasa licitação para conclusão da Arena

Atlético, prefeitura e governo do estado se deparam com um novo problema: estádio ficou R$ 40 milhões mais caro. Ninguém quer arcar com a despesa

Atlético já anunciou que não pretende gastar mais do que os R$ 45 milhões inicialmente previstos para a reforma da Arena da Baixada | Antonio Costa/ Gazeta do Povo
Atlético já anunciou que não pretende gastar mais do que os R$ 45 milhões inicialmente previstos para a reforma da Arena da Baixada (Foto: Antonio Costa/ Gazeta do Povo)

O dilema da realização da Copa de 2014 no Paraná ressusci­tou. Uma reu­nião na tarde de se­gunda-feira debateu, sem en­contrar solução, quem irá bancar o aumento nas obras da Arena. Novas exigências da Fifa e o aqueci­men­to no mer­cado da construção ci­vil te­riam ele­vado os custos de R$ 135 mi­lhões para cerca de R$ 175 mi­lhões. Um acréscimo de R$ 40 mi­l­hões que não se sabe de onde vi­­rá.

De um cofre ao menos o valor não vai sair: o rubro-negro. Foi o que garantiu o presidente do Atlé­­tico, Marcos Malucelli, no tenso encontro realizado no gabinete do governador Beto Richa. Esta­­vam presentes também os representantes do clube Gláucio Geara, Enio Fornea e Yara Eisenbach, o gestor da Copa em Curitiba Luiz de Car­­va­­lho, o secretário especial do Estado para a Copa, Mário Celso Cunha, e o prefeito Luciano Ducci.

A nova discussão adia o avanço nas obras, cujo prazo final estabelecido pelo poder público para a retomada é 1.º de junho, já que o processo de licitação via carta convite segue indefinido.

O dirigente atleticano apresentou uma correção nos valores, mas manteve a postura de não aumentar sua parcela proposta para a obra, transferindo ao poder público a responsabilidade.

"Só tenho uma palavra. Não vamos avançar no nosso orçamento. Nosso investimento segue o cálculo original de R$ 45 milhões. E nem será mais tudo isso. É me­­nos, pois já estamos pagando vá­­rios projetos como o hidráulico, elétrico, etc. Agora eles, o Ippuc [Ins­­­­tituto de Pesquisa Pla­­ne­­ja­­mento Urbano de Curitiba], farão a apuração deles sobre os valores e aguardamos uma nova reunião", afirmou o presidente, sem confirmar o novo montante necessário.

O impasse ressurge após uma longa e desgastante discussão para definir o rateio da obra. O custo apresentado em 2009 era de R$ 135 milhões, sendo R$ 45 milhões assumidos pelo Atlético. O poder público então recorreu a uma en­­genharia financeira para garantir o aporte de R$ 90 milhões – R$ 45 milhões do governo e R$ 45 milhões da prefeitura – via potencial construtivo.

Com os R$ 40 milhões a mais, a conta não fecha e a prefeitura já teria sinalizado que o mesmo me­­ca­­nismo não poderia ser usado para reforçar os custos.

O aumento decorre de duas si­­tua­­ções. A primeira seria o acréscimo no valor da construção civil de 28% o metro quadrado nos últimos três anos – de R$ 714,79 o m² a 918,54 o m²–em Curitiba, segundo o Sindicato da Indústria da Cons­­trução Civil no Paraná.

Para completar, a Fifa fez novas exigências aos estádios, como a instalação de mais apa­relhos de ar condicionados, a tro­ca de todas as cadeiras, ves­tiários para o mascote do evento, en­tre outros. "O Ippuc vai estudar e deve encontrar o que pode ser su­­pér­fluo e cortar do projeto", se­guiu Ma­lucelli.

Enquanto o novo estudo não for feito, o gestor da Copa em Curi­­tiba, Luiz de Carvalho, disse ser prematuro anunciar valores e quem irá arcar com o excedente. A indefinição resgatou nos bastidores a dúvida sobre a realização dos jogos no reduto atleticano. "Não acredito. Mas, se quiserem tirar [da Arena], podem tirar. Não colocaram nenhum centavo lá ainda", disse Malucelli.

Aeroportos

O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) desqualificou ontem estudo do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), órgão ligado ao governo, que apontou que as obras em nove dos 14 aeroportos de sedes da Copa 2014 não ficarão prontas até o evento. Carvalho disse que a pesquisa foi assinada por um pesquisador que não representa a voz oficial do instituto e foi realizada em cima de recortes de jornais. O ministro afirmou ainda que "não há desespero", mas a preocupação natural do governo com a conclusão das obras.

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