
O dilema da realização da Copa de 2014 no Paraná ressuscitou. Uma reunião na tarde de segunda-feira debateu, sem encontrar solução, quem irá bancar o aumento nas obras da Arena. Novas exigências da Fifa e o aquecimento no mercado da construção civil teriam elevado os custos de R$ 135 milhões para cerca de R$ 175 milhões. Um acréscimo de R$ 40 milhões que não se sabe de onde virá.
De um cofre ao menos o valor não vai sair: o rubro-negro. Foi o que garantiu o presidente do Atlético, Marcos Malucelli, no tenso encontro realizado no gabinete do governador Beto Richa. Estavam presentes também os representantes do clube Gláucio Geara, Enio Fornea e Yara Eisenbach, o gestor da Copa em Curitiba Luiz de Carvalho, o secretário especial do Estado para a Copa, Mário Celso Cunha, e o prefeito Luciano Ducci.
A nova discussão adia o avanço nas obras, cujo prazo final estabelecido pelo poder público para a retomada é 1.º de junho, já que o processo de licitação via carta convite segue indefinido.
O dirigente atleticano apresentou uma correção nos valores, mas manteve a postura de não aumentar sua parcela proposta para a obra, transferindo ao poder público a responsabilidade.
"Só tenho uma palavra. Não vamos avançar no nosso orçamento. Nosso investimento segue o cálculo original de R$ 45 milhões. E nem será mais tudo isso. É menos, pois já estamos pagando vários projetos como o hidráulico, elétrico, etc. Agora eles, o Ippuc [Instituto de Pesquisa Planejamento Urbano de Curitiba], farão a apuração deles sobre os valores e aguardamos uma nova reunião", afirmou o presidente, sem confirmar o novo montante necessário.
O impasse ressurge após uma longa e desgastante discussão para definir o rateio da obra. O custo apresentado em 2009 era de R$ 135 milhões, sendo R$ 45 milhões assumidos pelo Atlético. O poder público então recorreu a uma engenharia financeira para garantir o aporte de R$ 90 milhões R$ 45 milhões do governo e R$ 45 milhões da prefeitura via potencial construtivo.
Com os R$ 40 milhões a mais, a conta não fecha e a prefeitura já teria sinalizado que o mesmo mecanismo não poderia ser usado para reforçar os custos.
O aumento decorre de duas situações. A primeira seria o acréscimo no valor da construção civil de 28% o metro quadrado nos últimos três anos de R$ 714,79 o m² a 918,54 o m²em Curitiba, segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Paraná.
Para completar, a Fifa fez novas exigências aos estádios, como a instalação de mais aparelhos de ar condicionados, a troca de todas as cadeiras, vestiários para o mascote do evento, entre outros. "O Ippuc vai estudar e deve encontrar o que pode ser supérfluo e cortar do projeto", seguiu Malucelli.
Enquanto o novo estudo não for feito, o gestor da Copa em Curitiba, Luiz de Carvalho, disse ser prematuro anunciar valores e quem irá arcar com o excedente. A indefinição resgatou nos bastidores a dúvida sobre a realização dos jogos no reduto atleticano. "Não acredito. Mas, se quiserem tirar [da Arena], podem tirar. Não colocaram nenhum centavo lá ainda", disse Malucelli.
Aeroportos
O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) desqualificou ontem estudo do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), órgão ligado ao governo, que apontou que as obras em nove dos 14 aeroportos de sedes da Copa 2014 não ficarão prontas até o evento. Carvalho disse que a pesquisa foi assinada por um pesquisador que não representa a voz oficial do instituto e foi realizada em cima de recortes de jornais. O ministro afirmou ainda que "não há desespero", mas a preocupação natural do governo com a conclusão das obras.
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