Uma coisa os ex-presidentes do Atlético têm em comum: todos deixaram de participar da vida política do clube. A relação com o time do coração se limita à arquibancada mesmo achando que poderiam contribuir mais.
"Nunca mais me chamaram para nada. No entanto, quando o time foi jogar em Guadalajara, no México, eu fui junto. Me convidaram. Acho que estava faltando gente no avião. Paguei minha passagem e fui junto. Quando cheguei lá, não fui tratado como diretor. Andei no ônibus da torcida", lamenta Nelson Fanaya, o primeiro presidente na divisão entre Conselho Gestor e Deliberativo em 1999.Zimermann
"Um ano atrás, ele (Petraglia) falou comigo. Disse que iria constituir uma comissão para terminar a Baixada. Disse ainda que ia me procurar, porém, jamais me procurou. Se ele fizer isso, troco idéias. Quero o melhor para o clube. Hoje, não há consulta com ninguém. As decisões são deles, especificamente de uma pessoa", lamenta Valmor Zimermann, responsável pela entrada de Petraglia na diretoria rubro-negra.
Marcus Coelho reforça. "O meu distanciamento foi voluntário. Não briguei com ninguém. Houve um grupo que saiu em desavença. E isso não aconteceu comigo. Deixei meu cargo no dia 31 de dezembro de 2001, exatamente quando acabou meu mandato. Minha idéia era abrir espaço para que outros assumissem o meu lugar, para que a renovação ocorresse. Mas nada disso aconteceu. Aconteceu algo pior. Houve um racha em abril de 2002 e ficou o grupo liderado pelo Mário. E acho que esse isolamento não é bom para os atleticanos, não é bom para o Mário e, especialmente não é bom para o Atlético."
Em contato com a reportagem da Gazeta do Povo, Ademir Adur citado no site oficial como "um dos responsáveis pela concretização das mudanças pelas quais o Atlético passou a partir de 1995" não quis falar sobre o tema. Limitou-se a dizer que isso se deve a um "propósito feito com a família" e que atualmente assiste aos jogos "pela tevê."
Durante a semana passada, o deputado estadual Nelson Justus esboçou uma oposição no clube justamente com essa bandeira da "abertura". O presidente da Assembléia Legislativa soltou frases como: "Não podemos deixar o Atlético com uma única palavra"; "Ninguém consegue fazer nada sozinho"; e "Tudo tem prazo de validade." (RF)







