Jogadores do Borussia Dortmund e Saint Pauli entram com mensagem de apoio aos refugiados no Campeonato Alemão. | Reprodução Facebook Borussia Dortmund/
Jogadores do Borussia Dortmund e Saint Pauli entram com mensagem de apoio aos refugiados no Campeonato Alemão.| Foto: Reprodução Facebook Borussia Dortmund/

A campeã mundial tomou a iniciativa no apoio a refugiados sírios e curdos que tentam entrar na Europa. Rapidamente, o mundo do futebol segue o exemplo da Alemanha.

Mesmo antes das imagens de crianças mortas tentando chegar ao Velho Continente aparecerem na imprensa mundial, torcidas dos principais clubes alemães já manifestavam solidariedade e passavam a mensagem que o país deveria receber mais imigrantes.

“Refugiados bem-vindos” foi o texto de faixas mostradas em pelo menos cinco estádios na rodada de duas semanas atrás.

“O futebol tem o poder de mobilizar as pessoas e esta é uma causa que vale a pena. Se nós pudermos contribuir para evitar uma tragédia e fazer a Europa receber mais refugiados, temos de fazê-lo”, disse Joachim Pawlik, um dos vice-presidentes do St.Pauli, clube alemão da segunda divisão conhecido por ser “alternativo” e anti-establishment.

De acordo com estimativa da ONU, a crise migratória dos que buscam viver na Europa para fugir de conflitos em seus países pode chegar a 200 mil pessoas.

A solidariedade iniciada pelo futebol alemão está se espalhando. O Celtic da Escócia vai doar o dinheiro de eventos beneficentes organizados pelo clube no último sábado e domingo (5 e 6) para organizações que ajudam os refugiados.

“Não resta dúvida que esta é a coisa certa a ser feita. O nosso clube foi formado por imigrantes que escapavam da grande fome na Irlanda. O Celtic foi criado para dar ajuda vital a essas pessoas e essa ajuda pode ser dada novamente agora”, defendeu à reportagem Tony Hamilton, chefe-executivo da Celtic FC Foundation.

Outros times e torcidas no Reino Unido se movimentam para fazer o mesmo. Também na Escócia, o Hibernian criou uma linha de doações que serão direcionadas para entidades dedicadas a auxiliar os refugiados. A associação de torcedores do Aston Villa, da Inglaterra, pressiona para que o clube tome alguma providência.

“É uma obrigação moral. Todos os times, grandes ou pequenos, deveriam fazer alguma coisa”, defende Roger Bunce, presidente do Swindon Town Supporters Club (Associação de Torcedores do Swindon Town). A equipe disputa atualmente a terceira divisão. A torcida do Peterborough mandou fazer camisas para serem distribuídas em jogos lembrando que o clube ajudou o povo de Uganda em 1972 e vietinamitas em 1979. Agora tem o dever de fazer o mesmo.

Uma conta no Twitter (@RefugeesEFL) pretende organizar uma exibição em massa de bandeiras e faixas na rodada do Campeonato Inglês do próximo final de semana pedindo que o Reino Unido receba mais refugiados.

A seleção de Portugal, antes do treino da última quarta-feira (2), fez um minuto de silêncio em memória dos mortos na crise dos refugiados. O mesmo aconteceu antes do início do confronto entre Itália e Malta, na última quinta (3). O Livorno, considerado um clube italiano politicamente de esquerda, estuda também fazer uma homenagem nas próximas partidas.

Mas a dianteira continua sendo do futebol alemão. O Bayern de Munique prometeu doar 1 milhão de euros (R$ 4,2 milhões) para projetos que auxiliar refugiados sírios. O clube também pretende fazer um programa de treinamento para crianças que vêm da região. No próximo sábado (12), contra o Augsburg, 11 crianças entrarão em campo de mãos dadas com os jogadores do Bayern.

O Borussia Dortmund ofereceu 220 ingressos gratuitos para refugiados assistirem à partida contra o Odds Ballklubb, da Noruega, pela Liga Europa, no final de agosto.

“Eu sei o que essas pessoas estão passando e não apenas o futebol, mas toda a sociedade tem o dever moral de ajudar no que for possível. No que depender de mim, isso vai acontecer”, afirma o zagueiro Neven Subotic, do Dortmund.

Ele também é um refugiado. Nascido na Bósnia, teve de fugir da guerra civil no país quando era criança, morando na Alemanha e depois nos Estados Unidos.

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