
Vanderlei Luxemburgo não quer saber de seleção brasileira. Ao menos por enquanto. Nome mais cotado para assumir o lugar do ameaçado Dunga no comando da equipe nacional, principalmente depois do fracasso na Olimpíada de Pequim, quando fora eliminado nas semifinais pela Argentina, o comandante palmeirense prefere manter o discurso da ética.
Dois dias em Curitiba, graças ao jogo com o Atlético, ontem, na Arena da Baixada, o treinador aproveitou a passagem para visitar a sede do Instituto Wanderley Luxemburgo na capital, mas não quis falar sobre o time da CBF.
O técnico da equipe paulista usou seu pouco tempo livre para conhecer melhor os alunos da instituição de ensino, especializada em futebol e assuntos acadêmicos ligados ao esporte.
Porém, mesmo se limitando a proferir poucas palavras no que diz respeito as Eliminatórias da Copa da África, o treinador não negou que faz parte de uma seleta lista de possíveis substitutos de Dunga e garante que, como todo brasileiro, vai torcer pela seleção no confronto diante do Chile, no próximo domingo.
"Sou um candidato natural a assumir a seleção brasileira, mas vou aguardar um pouco para falar sobre isso. Não é o momento oportuno, acho desnecessário falar. Todos nós brasileiros temos que torcer por resultados positivos e que o Brasil volte a caminhar para disputar a Copa do Mundo", disse.
Embora não tenha entrado em detalhes sobre a atuação de Dunga, Luxemburgo não deixou de fazer críticas, mas não ao trabalho do treinador canarinho e sim ao fato da entidade que representa os profissionais de educação física não tomar nenhuma atitude quanto ao fato de ele não ser profissional formado.
"O Cref (na verdade, o Conselho Federal de Educação Física Confef) permite que Passarela, Mathaus venham. O próprio Dunga não tem o Cref (registro) ", contestou Luxemburgo.
E para tentar evitar que essa diferenciação continue acontecendo entre os técnicos de futebol, Luxemburgo, com a ajuda de Felipão, Abel Braga e Muricy Ramalho iniciou o trabalho para criar a associação nacional de treinadores. O grupo composto pelos principais nomes do futebol brasileiro já teve algumas conversas e a associação já começa a ganhar forma.
"Por não ter pago a mensalidade de R$ 90 ao Cref tentaram me impedir de ficar no banco pelo Santos, no Paulistão. Aí vem Passarela, Mathaus e eles nem perguntam se o cara vem para ganhar dinheiro. Já estamos conversando, temos sindicato, mas falta a associação e eu vou criá-la. Eu tenho prestígio, mas e o cara do interior? Como ele fica?", indagou o comandante palmeirense.



