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Brasileiro

“Não é o salvador”

Alfredo Ibiapina, diretor do Atlético, pede à torcida calma com El Morro, que custou R$ 7 milhões aos cofres do clube

Alfredo Ibiapina, diretor de futebol do Atlético, entrega a camisa 20 – mesma numeração que o atacante usava no Nacional – ao uruguaio Santiago García, o El Morro | Antonio More/ Gazeta do Povo
Alfredo Ibiapina, diretor de futebol do Atlético, entrega a camisa 20 – mesma numeração que o atacante usava no Nacional – ao uruguaio Santiago García, o El Morro (Foto: Antonio More/ Gazeta do Povo)

A fraca campanha do Atlético, vice-lanterna do Campeonato Brasileiro com apenas um ponto em cinco rodadas, esvaziou a chegada do uruguaio Santiago "Mor­­ro" García, a mais cara contratação do história do futebol paranaense – o jogador custou cerca de R$ 7 milhões aos cofres do clube.

Ontem, ao invés de explicar como o Rubro-Negro venceu a concorrência do Benfica e pôs fim à arrastada negociação que durou mais de duas semanas, o diretor de futebol Alfredo Ibiapina usou boa parte da entrevista coletiva para tentar explicar o fracasso do time no Nacional.

"Eu tinha certeza de que nós íamos ganhar esse jogo lá [contra o Figueirense, em Florianópolis] e que o aeroporto ia estar repleto com a torcida esperando o ‘Morro’. Mas futebol é assim. Vamos voltar a ganhar que tudo se resolve", afirmou Ibiapina, indignado com o pouco caso dos fãs – ninguém se encorajou a ir ao Afonso Pena recepcionar o novo camisa 9 atleticano.

Sem saber, García se viu ainda envolvido em uma polêmica antes mesmo do primeiro treino no CT do Caju. Entre uma e outra pergunta sobre a carreira do centroavante, Ibiapina se viu obrigado novamente a pegar o microfone na tentativa de justificar as últimas declarações do técnico Adilson Batista.

Logo após o revés em Santa Catarina, o treinador afirmou que alguns jogadores do atual elenco (sem citar nomes) estariam indignados com a chegada de reforços. Claramente pego de surpresa, o dirigente preferiu contemporizar.

"No papel, o grupo do Atlético é bom, tem qualidade, mas alguma coisa está acontecendo e não estamos conseguindo êxito. Pri­­meiro temos que descobrir o que está ocorrendo, o motivo do grupo não conseguir realizar aquilo que é feito na semana nos treinamentos", resumiu ele.

Confuso com a situação e demonstrando dificuldade para entender a língua, García, o 18.º atleta sul-americano contratado pelo Furacão desde que o Brasileiro começou a ser disputado por pontos corridos, em 2003, preferiu o clichê de "ajudar o grupo".

"É uma sorte poder jogar ao lado de jogadores como Guerrón e Paulo Baier", disse El Morro, diminutivo de "Morrongo", apelido dado pela mãe por não gostar que o chamassem de "neguinho", mostrando certa familiaridade com os novos companheiros. O jogador deve estar à disposição de Adilson Batista para o confronto com o Internacional, no dia 6 de julho.

Por fim, Ibiapina pediu à torcida para não ver o novo contratado como a salvação do Atlético. "O Morro não é o salvador da pátria", afirmou o diretor. "Eu peço que não joguem esta responsabilidade no garoto de 20 anos", emendou ele, aproveitando para anunciar a desistência na aquisição do atacante Mota por "não aceitar entrar em leilão".

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