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Fórmula 1

Nelsinho confirma fraude em acidente

Documento, sem comprovação de veracidade, traz confissão de jogo sujo da Renault com trapaça do brasileiro

“Estava muito inseguro quanto ao meu futuro. Quando me pediram para bater, aceitei porque esperava que isso melhorasse a minha posição dentro da equipe", Nelsinho Piquet | Jose Manuel Ribeiro/Reuters
“Estava muito inseguro quanto ao meu futuro. Quando me pediram para bater, aceitei porque esperava que isso melhorasse a minha posição dentro da equipe", Nelsinho Piquet (Foto: Jose Manuel Ribeiro/Reuters)
Fernando Alonso, o beneficiado:

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Fernando Alonso, o beneficiado:

Monza - Primeiro veio a confirmação da FIA de uma investigação em curso, depois a convocação para a Re­­nault comparecer ante o Conselho Mundial, no dia 21.

O mais novo capítulo do su­­posto acidente proposital sofrido por Nelsinho Piquet no GP de Cinga­­pura de 2008 para beneficiar seu companheiro, Fernando Alonso, veio à tona ontem, no paddock de Monza, circuito que recebe a partir da manhã de hoje nos treinos livres da 13.ª etapa do Mundial de F-1.

Uma cópia do depoimento prestado pelo brasileiro a representantes da FIA (entidade máxima do automobilismo) no último dia 30, no qual ele relata detalhes de como sua batida teria sido planejada naquele fim de semana, tornou-se pública.

O documento traz os principais trechos da versão dada por Nelsinho para o ocorrido em Cingapura a Alan Donnelly, chefe dos comissários da FIA, Martin Smith e Jacob Marsh, membros da empresa Quest, que conduz a investigação.

Segundo as declarações, o piloto, demitido pela Renault em julho, diz ter consciência da gravidade das consequências do ato, mas diz que fez isso pois é seu dever como participante do Mundial e portador da superlicença garantir a legitimidade e a justiça do campeonato.

"Fui solicitado pelo Flavio Briatore, meu manager e chefe da Renault, e por Pat Symonds, diretor técnico da equipe, para deliberadamente causar um acidente para influenciar de maneira positiva a performance da Renault", relatou Nelsinho, que estreou na equipe em 2008. "Eu concordei com essa proposta e fiz meu carro bater no muro na volta 13 ou 14."

Nas declarações, o piloto de 24 anos também explica que, após a reunião com Briatore e Symonds, o diretor técnico do time o chamou num canto para dar mais instruções. "Ele me mostrou o local exato em que eu deveria bater. Essa curva foi escolhida porque não havia nenhum guindaste que pudesse tirar um carro batido rapidamente da pista", declarou.

"Eu intencionalmente causei a batida ao deixar o carro escapar um pouco antes daquela curva. Para ter certeza de que o acidente ocorreria na volta certa, eu perguntei várias vezes no rádio em que volta estava."

Procurado pela reportagem para atestar a veracidade das declarações, Nelsinho, que está em Miami para assistir a uma etapa da Nascar, disse que desconhecia o documento. "Não sei exatamente o que falaram, então não posso confirmar."

A reportagem também tentou entrar em contato com o pai do piloto, Nelson, mas seu assessor de imprensa não ligou de volta. De acordo com a revista Austosport, o tricampeão foi o delator da armação da Renault por estar inconformado com a demissão do filho.

Consultada, a FIA não confirmou se o depoimento era de fato de Nelsinho. A investigação já dura mais de um mês e, além do brasileiro, Alonso, Briatore, Symonds e outros funcionários da Renault foram ouvidos. A equipe diz que só comentará o assunto após se pronunciar ao Conselho Mundial.

Alonso: "Não acredito"

Envolvido diretamente no caso, Fernando Alonso garantiu que não tinha conhecimento da su­­posta farsa da Renault para levá-lo à vitória no GP de Cingapura. "Eu estou muito surpreso. Eu não posso imaginar essas coisas, essa situação. Isto é algo que nunca vai entrar na minha mente", disse o piloto espanhol.

Barrichello: "É perigoso"

Rubinho, um dos poucos a falar sobre o tema foi duro. "Espero que não seja verdade, mas a conheceremos. A FIA tem como saber", disse o brasileiro da Brawn GP. "Nelsinho nunca relacionou os meus problemas com o seu pai com a nossa relação, tenho muito respeito por ele, mas se alguém tem capacidade de fazer isso não merece estar no esporte, é perigoso para todo mundo."

Ao vivo

Treino do GP de Monza, às 9 horas, no SporTV

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