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Alemão Sebastian Vettel, 23 anos, se torna o mais jovem campeão da F-1. Conquista derruba o jogo de equipe da Ferrari para beneficiar Alonso

Hamilton (campeão em 2008) e Button (campeão em 2009) jogam champanhe na cabeça de Sebastian Vettel, o mais novo piloto a integrar o seleto times de vencedores da F-1 | Fred Dufour/AFP
Hamilton (campeão em 2008) e Button (campeão em 2009) jogam champanhe na cabeça de Sebastian Vettel, o mais novo piloto a integrar o seleto times de vencedores da F-1 (Foto: Fred Dufour/AFP)
Veja a classificação final e o ranking de escuderias da F-1 |

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Veja a classificação final e o ranking de escuderias da F-1

Abu Dabi - A dez voltas da bandeirada, Se­­bastian Vettel, da Red Bull, liderava o GP de Abu Dabi, com Fer­­nando Alonso, da Ferrari, em sétimo. Seu engenheiro, Guillaume Rocquelin, o avisou pelo rádio para manter o ritmo. Até então, Vettel não sabia se a iminente vitória lhe garantiria o título por não ser informado da colocação dos adversários. "Eu perguntei a ele a razão de me parecer tão nervoso", contou Vettel, cheio de dúvidas. Depois de receber a bandeirada, Guillaume lhe falou: "Acho que vai dar certo". Alonso precisava do quarto lugar para ser campeão. Mas, preso no tráfego boa parte da prova, estava em sétimo. De repente, "You are the champion [Você é o campeão]", gritou o técnico. Vettel desabou em choro, ouvido por milhões no mundo todo.

Ontem foi a primeira vez que o piloto da Red Bull liderou o Mundial de Pilotos desde a sua estreia na Fórmula 1 no GP dos EUA de 2007, pela BMW, aos 19 anos, e de cara mostrou seu imenso talento ao marcar um ponto. Primeira vez e de forma definitiva. Vettel escreveu seu nome na história como o mais jovem campeão do mundo de todos os tempos: 23 anos e 134 dias, diante de 23 anos e 301 dias de Lewis Hamilton, da McLaren, em 2008.

A equipe manteve Vettel isolado do andamento da prova para que se concentrasse apenas no seu trabalho, vencer a última etapa do calendário e não pensar em mais nada. Deu tudo certo. "Eu não sabia se a vitória seria suficiente, vi no telão do circuito que Alonso ficara boa parte atrás de uma Renault [Vitaly Petrov], mas não sabia sua colocação. É uma sensação incrível, sinto-me vazio. A corrida começou de dia, estamos de noite, e vai terminar de dia para mim", contou, para dizer mais tarde que celebraria até o raiar do dia.

Como o previsto, Vettel não teve adversários no GP de Abu Dabi, como em 2009, quando também venceu ali. Lewis Hamilton, da McLaren, segundo colocado, não chegou a ameaçá-lo, bem como seu parceiro, Jenson Button, terceiro. Os três últimos campeões do mundo ocuparam o pódio. Button venceu o Mundial no ano passado. A grande decepção ficou por conta da estratégia equivocada da Ferrari, assumida pela equipe, que chamou Alonso para o pit stop muito cedo, uma das falhas responsáveis pela perda do título, apesar da vantagem de 15 pontos para Vettel na classificação. O equívoco terá desdobramentos no time italiano.

Outra surpresa foi o desempenho irreconhecível Mark Webber, vice-líder até então, e somente oitavo ontem. Seu nervosismo ficou evidente no fim de semana, apesar de ser o mais velho dos quatro candidatos a vencer o campeonato, com 34 anos.

"Aprendi que sempre é possível, mesmo quando a situação é bastante difícil", falou Vettel. O GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps, representou um momento especial para o alemão Errou ao tentar ultrapassar Button e os dois acabaram fora da competição. "As críticas foram duras contra mim." Muita gente dizia que com o carro que a Red Bul tem o mais difícil seria perder e não ganhar o Mundial. "Eu poderia escrever um livro sobre as etapas em que poderíamos nos classificado melhor. Foi um ano desgastante, em especial mentalmente. Precisei ignorar muitas vezes o que diziam de mim."

Sem desejar ser filósofo, como lembrou, Vettel comentou não ter perdido em nenhum instante a confiança em si, mesmo depois de errar como na Bélgica. "Hoje é um dia especial, parece que nada disso tudo está acontecendo. Sou líder pela primeira vez na Fórmula 1, quando realmente importa."

Vettel estabeleceu dez pole positions neste ano, em 19 etapas, e ganhou cinco delas. Há um consenso: não foi o mais regular, mas certamente o mais veloz. E se o que mais a Fórmula 1 visa a selecionar é a velocidade dos pilotos, demonstrada em corridas sem ordens de equipes, como exemplarmente fez a Red Bull, o título está nas melhores mãos.

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