Weggis, Suíça A seleção brasileira não terá muita tranqüilidade quando chegar ao Estádio Thermoplan, o campo de treinamento destinado pela prefeitura de Weggis aos treinamentos na Suíça. Além das 5 mil pessoas em um acanhado espaço de arquibancada, na rua de acesso ao portão de entrada ocorre uma feira livre das mais agitadas com direito a samba, bebida e feijoada.
Em uma área de aproximadamente 100 metros, aglomeram-se 64 barracas com os mais diversos produtos. Para ocupar o espaço nobre, os interessados chegaram a desembolsar 2.300 francos-suíços (ou R$ 4.100) ao poder público. A locação vale para os 14 dias até o adeus da equipe pentacampeã.
"Criamos uma atmosfera verde e amarela para seduzir os torcedores suíços. Essas cores encantam", conta a comerciante Georgie Birkmann.
Com a ajuda de uma amiga angolana (espécie de intérprete no balcão), ela também espera atender os torcedores brasileiros mesmo vendendo, pela cotação, um par de chinelos Havaianas a R$ 50.
Apesar de contar com alguns pratos típicos da Suíça, o feirão tornou-se de fato um espaço temático para o Brasil. Prova disso é que a coqueluche nas prateleiras tem sido a caipirinha. A dose do aperitivo pode ser encontrada por até R$ 17. Pela cerveja brasileira, outro item dos mais vendidos, paga-se R$ 8,50.
No clima do Mundial, um estande criou os drinks "Hexa Dida", "Hexa Cafu", "Hexa Kaká", "Hexa Ronaldo" e "Hexa Roberto Carlos", além da especialidade da casa: "Hexa Ronaldinho" composto por gim, licor de menta e suco de laranja.
"É o mais forte", avisa a atendente Mary Gurgel, natural do Ceará e há 10 anos em solo helvético. Todos custam R$ 17.
Fora o álcool e algumas bugigangas, a rua que a seleção irá passar quase diariamente (a partir de amanhã) oferece ainda camisas falsificadas das principais equipes participantes da Copa. Um modelo pirata da amarelinha está pendurado por R$ 34.
"Melhor não tem", avisa o dono da loja, um senhor tipicamente suíço, no melhor estilo camelô.
O espaço também trouxe oportunidade de emprego para muitos brasileiros. Eles dão as dicas de música e decoração, geralmente arranham no alemão, e cobram pouco pela mão-de-obra.
A paranaense Gabriela Ferreira dos Santos (nasceu em Paranavaí, mas mora há oito anos na Suíça), é um exemplo. Além de preparar a feijoada do dia a dia, a imigrante arrumou um CD do Zeca Pagodinho para animar a tenda.
"Falta um pouco de calor humano para esse povo daqui", adverte.
O prefeito, em carta aos moradores, estimou que 50 mil pessoas irão passar pelo Estádio Thermoplan para ver de perto o time treinado por Carlos Alberto Parreira quase 12 vezes a população total do município. E não há mais ingressos à venda.
"Que a festa fique aqui, fora de campo", finaliza Gabriela.



