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Entrevista Exclusiva

Objetivo principal de Caio Júnior é trabalhar no Campeonato Brasileiro

Técnico paranaense não descarta treinar equipe em outro lugar do Mundo Árabe

Estreia de Caio Júnior no comando do Botafogo deve ser contra o Paraná | Fadi Al-Assaad / Reuters
Estreia de Caio Júnior no comando do Botafogo deve ser contra o Paraná (Foto: Fadi Al-Assaad / Reuters)

Demitido após a derrota do Al Gharafa para o Al Rayyan, na última sexta-feira, o técnico paranaense Caio Júnior falou com exclusividade por telefone à Gazeta do Povo nesta segunda-feira (14) sobre sua saída do time catariano, da quase ida ao Atlético Paranaense e revelou que pretende trabalhar num clube do Campeonato Brasileiro, mas que não descarta trabalhar em outras equipes do Mundo Árabe.

A saída do Al Gharafa teve como estopim uma série de três derrotas, então inéditas na passagem dele pelo clube, mas teve como origem um desgaste com o sheik Hamad Al Thani, dono da equipe, após 21 meses de trabalho. Mesmo assim, ele recebeu uma festa de despedida. "Queria dizer que hoje [segunda-feira] recebi homenagem no clube. Um treinador sair e ser homenageado é algo que nunca tinha visto. Uma recepção bacana por parte do sheik e de torcedores. Marcante o reconhecimento. Há um mês, o interesse do Atlético acabou repercutindo no mundo e desgastou com o Sheik. Ele começou a considerar que eu não estaria mais tendo alegria de ficar aqui. Depois, fiz uma dura arbitragem à arbitragem do Catar. Não mudo minha opinião, pois fomos prejudicados. Recebi uma multa de 10 mil dólares do Comitê Olímpico que me entristeceu. Perdemos três jogos na Liga e o último motivo foi o ex-treinador da seleção, o francês Bruno Metsu [treinou o Senegal na Copa de 2002], que passou a ver todos os jogos do clube e já era especulado, além de ser pago pelo Comitê", contou o técnico.

O técnico, natural de Cascavel, mostrou-se feliz com a passagem no Al Gharafa. "Eu saio com as portas abertas. Foi a maior campanha da história do clube com três títulos e classificação entre os oito primeiros na Liga dos Campeões da Ásia. Foi bom para não ter mais desgaste, até porque já tinha comunicado a minha decisão de não ficar depois do final do contrato", disse.

Caio Júnior lamentou o não acerto com o Atlético. Para ele, seria a realização de um projeto profissional. "Eu tinha interesse e pedi a liberação para o sheik. Seria raro um técnico paranaense ter trabalhado nos três grande, acho que o Levir (Culpi) fez isso. É algo que gostaria, pois fui jogador e treinador do Paraná e coordenador no Coritiba. Seria marcante para minha história e para minha família. Tentei facilitar para fazer este desafio, mas não deu", explicou.

Sem clube no momento, Caio Júnior revelou que não havia sido procurado pelo Fluminense, clube em que é especulado pela imprensa nacional, até o momento da entrevista, e que mira como objetivo principal voltar a trabalhar no futebol brasileiro. "A tendência é mudar de ares, especialmente para o Brasil. Meu trabalho repercutiu bem no Mundo Árabe. É normal que aconteça especulações. Não houve nada até este momento. Mas o futebol muda muito. É ter paciência e esperar melhor. Meu objetivo é disputar o Brasileiro. Estou aberto ao mercado, inclusive ao Mundo Árabe. Mas pesa muito as saudades também, especialmente da família", revelou.

O treinador afirmou que a experiência no exterior ajudou no crescimento dele na carreira, principalmente no contato com jogadores de países diferentes. "Não sou mais o mesmo. Mudei muito neste quase dois anos e meio. Juntando com a passagem pelo Japão, acabei trabalhando com jogadores japoneses, chineses, coreanos, africanos de Gana e Sudão e árabes de diversas nacionalidades. É muito enriquecedor", concluiu.

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