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Guerra na Ucrânia

Putin rejeita reunião com Zelensky e ordena que ataques contra a Ucrânia continuem

Vladimir Putin durante Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, quando rejeitou proposta de reunião com Zelensky.
Vladimir Putin durante Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, quando rejeitou proposta de reunião com Zelensky. (Foto: EFE/EPA/Valeriy Sharifulin/SPUTNIK/KREMLIN POOL)

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O ditador da Rússia, Vladimir Putin, rejeitou nesta sexta-feira (5) a proposta do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky de uma reunião cara a cara. O ucraniano usou uma carta pública para sugerir, na noite de quinta-feira (4), a realização de uma reunião entre ambos os líderes em um país neutro para negociações diretas com o objetivo de encerrar o conflito.

Durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, Putin descartou o encontro. “Por enquanto, não vejo sentido”, disse o ditador russo, que ainda classificou como "grosseiro" o estilo adotado por Zelensky na redação da carta.

Putin argumentou que reuniões como a proposta por Zelensky carecem de sentido, já que o importante seria fechar um acordo definitivo e duradouro. O presidente ucraniano vem propondo a paz há anos, mas ditador russo vem usando esse argumento para adiar negociações de paz e tentar conquistar mais território no campo de batalha. Ele também não conseguiu atingir seus objetivos estratégicos de derrubar o governo ucraniano e afastar o país de seus aliados europeus.

Após as declarações de Putin, Zelensky afirmou que o ditador voltou a "escolher a guerra" ao descartar sua oferta. “Infelizmente, o lado russo escolheu, mais uma vez, a guerra”, disse em sua conta no X. O líder ucraniano também classificou a reação de Putin como uma “resposta fraca”.

“Ele simplesmente não quer terminar a guerra”, afirmou o ucraniano. Zelensky também disse acreditar que muitas pessoas ficaram decepcionadas com a resposta de Putin. Segundo o presidente ucraniano, a guerra interessa apenas ao ditador russo e àqueles que lucram com ela.

O presidente ucraniano também afirmou que “todos estavam com sorrisos radiantes”, referindo-se às autoridades russas presentes no fórum em São Petersburgo. “Isso significa que a Rússia precisa de menos dinheiro e que é preciso pressionar mais a Rússia”, afirmou Zelensky.

O ditador Putin também afirmou que, há três semanas, a Ucrânia pediu para se reunir com um empresário russo, que teria lhe relatado o desejo de Zelensky de um encontro o quanto antes. No dia seguinte, contudo, ele alegou que as Forças Armadas ucranianas bombardearam uma residência estudantil na região ocupada de Luhansk, onde 21 pessoas morreram. O local era na realidade uma base de operadores de drones militares russos, segundo forças ucranianas.

"Não se deve dirigir a palavra ao autor dessa carta, ao aficionado pelo gênero epistolar, mas sim aos nossos homens no front (...) todo o país está olhando para vocês, está orgulhoso de vocês, confia em vocês. Continuem trabalhando, irmãos", disse Putin em seguida.

Na carta, Zelensky propôs a Putin uma reunião em um país neutro, como Suíça, Turquia ou um país árabe, algo a que a Rússia sempre se opôs. "O senhor pode terminar a sua guerra", diz Zelensky na carta, na qual afirma que as nações europeias devem participar das negociações. A mediação europeia também foi rejeitada por Putin.

A União Europeia, a Alemanha e a França, entre outros países, parabenizaram a proposta ucraniana. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que já considera obsoleta a exigência russa de que a Ucrânia retire suas tropas da região de Donbas, no leste do país.

À imprensa internacional, Putin afirmou que está disposto a assinar a paz com a Ucrânia, desde que o país faça concessões. Ele se referiu à retirada das tropas do território ucraniano livre em Donetsk.

O ditador também descartou um cessar-fogo. Segundo ele, as negociações de paz podem ser iniciadas enquanto os combates continuam, algo que Zelensky refutou em sua carta, na qual propõe uma trégua.

A ida de Putin a São Petersburgo ocorre um dia depois de a Ucrânia ter lançado um ataque com drones nos arredores da cidade.

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Ucrânia ataca navios com carga ilegal

Ainda nesta sexta-feira, um dia após a divulgação da proposta de Zelensky, a Ucrânia afirmou ter atacado cinco navios que transportavam carga ilegal no Mar de Azov, em águas costeiras de territórios ocupados pela Rússia.

Segundo o comandante das forças de drones ucranianas, Robert Brovdi, as embarcações estavam envolvidas no roubo de grãos do país e no transporte de carga militar e combustível. A Ucrânia tem atacado repetidamente infraestruturas militares e energéticas dentro da Rússia, em uma tentativa de limitar a capacidade bélica de seu oponente.

Os drones ucranianos têm atingido sistematicamente alvos no coração da Rússia, a mais de 1.500 quilômetros da fronteira. Refinarias de petróleo, fábricas de armas e instalações militares estão sendo destruídas em ritmo cada vez mais acelerado.

Mais cedo, Brovdi havia anunciado que cinco "embarcações em situação irregular" foram atacadas durante a noite nos portos de Mariupol e Berdyansk e nas águas costeiras dos territórios temporariamente ocupados da Ucrânia.

Segundo o comandante, os nomes dos cinco navios, que incluíam cargueiros e petroleiros, foram apagados e seus radares foram desligados "com o objetivo de roubar discretamente grãos ucranianos", bem como de "transferir carga militar e combustível". Brovdi não mencionou baixas decorrentes da operação.

O Ministério das Relações Exteriores do Azerbaijão identificou dois dos navios como Nastra e Circon. O órgão também confirmou que cinco de seus cidadãos foram mortos em ataques a duas embarcações no Mar de Azov, mas não especificou quem estaria por trás das ações e observou que os navios não pertenciam ao Azerbaijão.

Drone ucraniano explodiu na costa da Romênia

Em outro episódio, um drone naval explodiu no porto romeno de Constança, no Mar Negro, nesta sexta-feira. O Ministério da Defesa da Romênia afirmou que o drone se autodetonou perto de um terminal de petróleo sem causar vítimas.

Autoridades romenas, contudo, relataram danos consideráveis a um navio e a armazéns. O drone seria parte de um grupo de cinco armamentos, sendo que o segundo deles teria explodido na Ucrânia.

Mais tarde, a Ucrânia confirmou o envolvimento de um de seus drones navais e alegou que ele foi desviado de sua rota por interferência eletrônica russa. Moscou ainda não se pronunciou.

Os outros três drones não foram localizados, mas as autoridades afirmaram que não há mais riscos. Nenhuma explicação foi apresentada para a presença dos drones em águas romenas.

O presidente romeno, Nicusor Dan, escreveu no X que este foi o segundo "incidente de segurança significativo desta semana", após a descoberta de uma mina terrestre à deriva em uma praia próxima à vila de Vama Veche, a mais de 50 quilômetros ao norte de Constança, na região de Dobruja.

O incidente ocorreu uma semana depois de duas pessoas terem ficado feridas quando um drone atingiu um prédio residencial na cidade romena de Galati, no leste do país, perto da fronteira com a Ucrânia.

Autoridades romenas confirmaram que se tratava de um drone russo, mas Moscou afirmou que as "acusações" de envolvimento do país são "infundadas".

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