
César Cielo não vinha dormindo bem desde a conquista da medalha de bronze nos 100 metros livre, na quarta-feira. Depois de colocá-la no peito e inaugurar a nova fase da natação brasileira em Olimpíadas, teve muitas dificuldades para pegar no sono. Estava ansioso.
Foi assim no meio da tarde que dividiu a final e a eliminatória, na quinta. Também a noite que o levou até a semifinal foi recheada de pequenas reflexões noturnas, ao invés do sono desejado. A rotina se repetiu na véspera da final.
Mas se para a maioria dos atletas esse seria um fator negativo, para o nadador brasileiro tem efeito diferente. Cielo fica pilhado, o que aumenta o seu poder dentro da piscina. O brasileiro não esconde que é assim que rende o melhor.
Ele mesmo força o estado nos momentos que antecedem o tiro de partida. Se estapeia enquanto, em seu Ipod, ouve repetidamente o tema de abertura do reality show The Contender programa de televisão apresentado pelo ex-boxeador Sugar Ray Leonard, no qual pugilistas amadores se enfrentam até a definição de um só campeão. A música é muito parecida e tão inspiradora quanto o conhecido tema de Rocky, um lutador.
"Para a prova dos 50 m livre tenho de entrar pilhado, subir na baliza já pegando fogo. É para acordar o corpo mesmo, por isso que eu me estapeio. Não é um ritual, mas tem uma trilha sonora que eu escuto direto antes da prova", contou.
Na manhã de ontem, escreveu em seu blog, hospedado no portal Terra, um texto que resumiu bem o seu grau de concentração para a final olímpica. "Eu sempre falo que a minha prova é uma definição de 21 segundos. É uma vida em 21 segundos. É concentração total, meu corpo está bom, e a minha cabeça tem que estar bem agora, é foco total no que eu tenho que fazer", disse, para logo depois revelar qual seria a estratégia que acabou o levando ao pódio. "Eu não vou ficar vigiando ninguém. Vou fazer a mesma coisa que fiz nos 100 metros, me concentrar apenas na minha prova, acho que isso pode fazer a diferença."



