
A "morte" do basquete brasileiro feminino na Olimpíada de Pequim está anunciada: será na madrugada de amanhã (3h30 de Brasília), contra a Rússia. No mais tardar, na partida contra a Bielo-Rússia, dois dias depois. E se, por um capricho do destino, a seleção chegar às quartas-de-final, jogará contra os EUA. Fim da linha na certa.
A derrota para a Letônia 79 a 78, faltando apenas 2,5 segundos , a terceira em três partidas disputadas na China, deixou poucas opções a seleção: vencer os dois jogos restantes e torcer por várias outras combinações de resultados. Nada que alguém em sã consciência possa acreditar que vá acontecer.
"Mas eu ainda acredito, sou brasileira e não desisto nunca", afirma Kelly, talvez uma das poucas otimistas do elenco, ainda no calor da saída da quadra.
Ela não falou depois da reunião dentro do vestiário com a comissão técnica, mas é bem provável que tenha mudado de idéia. Afinal, até o técnico Paulo Bassul saiu de lá com um discurso bem diferente.
"Era um jogo de vida ou morte. Perdemos. É muito difícil, quase impossível (a classificação). Mas temos a chance de mostrar profissionalismo nesses últimos dois jogos", afirmou.
Ao contrário de quando saiu do Brasil, Bassul descobriu, agora, um problema que antes não aparecia: as mudanças no elenco, que trocou nove jogadoras em um ano e meio. Antes de chegar em Pequim, ele jurava que essa mesma equipe ia lutar por medalha. Agora, joga tudo para daqui a dois anos, no Mundial da República Tcheca.
"Ainda continuo acreditando no potencial desse grupo, mas não existe seleção no mundo que mude tanto e mantenha um basquete de alto nível. Nós estamos jogando, mas esse grupo precisa de tempo. Tempo para cada uma achar o seu espaço, para surgirem as lideranças", diz. E dá um exemplo. "Todos lembram do trio sensacional que a Hortência, a Paula e a Janeth faziam, né? Pois é, aquela seleção foi 11ª no Mundial de 1986, 10ª no de 90 e só depois campeã em 94."
Bassul ainda disse que não veio com o discurso pronto, mas continua: "Sei que nessas horas querem achar pêlo em ovo, mas não há nada nesse grupo. Elas são extremamente profissionais, fazem tudo o que peço dentro de quadra e se dão muito bem. Se for para colocar a culpa em alguém, se é que em uma partida como essa alguém tem culpa, que seja em mim".
Quando a chefe da sala de coletivas anunciou o fim da entrevista, Bassul se levantou e ainda ouviu uma pergunta lá no fundo: quais são as chances matemáticas?. O técnico respondeu: "Não sei, vou ter de me situar. Vim aqui para vencer. Não fiz as contas para perder."



