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Vôlei

Giba confirma adeus após 2010

Capitão pretende ficar mais perto da família, torce para conseguir um contrato no Brasil e, mais uma vez, se nega a falar sobre o ex-companheiro Ricardinho

Os jogadores da seleção brasileira de vôlei observam a festa norte-americana no pódio: Giba (o último brasileiro na imagem) diz que precisará de tempo para digerir a derrota em Pequim. | Jonathan Campos, enviado especial/ Gazeta do Povo
Os jogadores da seleção brasileira de vôlei observam a festa norte-americana no pódio: Giba (o último brasileiro na imagem) diz que precisará de tempo para digerir a derrota em Pequim. (Foto: Jonathan Campos, enviado especial/ Gazeta do Povo)

Quem esperava que Giba fosse desabafar após a final olímpica, vencida pelos Estados Unidos, ontem, por 3 a 1 (20/25, 25/22, 25/21 e 25/23), se decepcionou. Nada de colocar o dedo nas feridas e apontar culpados pelo segundo insucesso seguido da seleção brasileira masculina de vôlei – em julho, o time chegou apenas em quarto na fase final da Liga Mundial, disputada no Rio de Janeiro.

O atacante manteve o tom politicamente correto. De novidade, apenas a oficialização da data de despedida do uniforme verde-e-amarelo. "A minha idéia é 2010 (no Mundial na Itália). Se der para ir mais para frente, quem sabe? Mas até por uma necessidade da minha família, pretendo seguir só até 2010", afirmou o jogador, nascido em Londrina, mas radicado em Curitiba.

A intenção de parar com a seleção buscando o tricampeonato do mundo dentro da Itália, antiga rival do Brasil, faz parte de um pacto antigo que Giba mantinha com Ricardinho, com quem trocou farpas recentemente via imprensa. O levantador foi cortado do time durante os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro após bater de frente com o técnico Bernardinho, reivindicando folgas e premiações para o grupo. "Vou esperar baixar a adrenalina para pensar com calma em tudo o que aconteceu."

Sobre o ex-amigo e parceiro de quarto por mais de sete anos, nenhuma palavra.

Diferentemente do meio-de-rede Gustavo, que já anunciou que não defende mais o país, o camisa 7 revelou que o fato de ter perdido a chance de se tornar bicampeão olímpico o ajudou a tomar a decisão de prosseguir. Contudo, a tendinite no ombro direito que o tirou dos primeiros jogos em Pequim, aliada à necessidade de tirar férias, deve fazer com que o atleta seja preservado no ano que vem.

"Quer motivação maior do que tentar recuperar o ouro? O jeito é procurar construir de novo a mesma família", disse, usando um termo constantemente propagado pelo treinador para se referir ao grupo.

Há, porém, indícios de que a "Família Bernardinho" já não é mais a mesma, por isso as derrotas recentes. A relação de quase oito anos dos jogadores com o técnico estaria desgastada, a ponto de os líderes do elenco pedirem para o "chefe" maneirar na intensidade das broncas. A reunião aconteceu durante a disputa da primeira fase da Olimpíada.

"Não existe nada disso. Não dá para ficar arranjando explicação com a cabeça do jeito que eu estou. Fizemos o melhor, mas infelizmente o melhor não foi suficiente", argumentou.

Giba deixaria a capital chinesa hoje, seguindo direto a Curitiba para acompanhar o parto da esposa, Cristina Pirv, ex-jogadora de vôlei, que dará à luz o segundo filho do casal, Patrick. A previsão é de que o menino nasça ainda neste mês. "Tomara que ele espere o pai", brincou.

Após a folga, o paranaense viaja para a Rússia, meio que a contragosto, para cumprir o segundo dos três anos de contrato que assinou com o Iskra Odintsovo. Giba chegou a negociar seu retorno ao Brasil, mas nenhum clube nacional aceitou pagar a elevada multa rescisória.

"Espero que com esse título das meninas (campeãs olímpicas) o vôlei brasileiro fique ainda mais valorizado e surja algum clube que possa pagar a minha rescisão contratual para eu voltar a jogar no país", ressaltou, entregando no olhar a consternação de quem não está habituado ao segundo lugar do pódio.

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