
O desabafo partiu de Fabi. A líbero pegou a ponteira Mari pelas mãos e a levou em frente às câmeras. As duas, dedo indicador sobre a boca, pediram silêncio aos críticos, que teimaram em perseguir a "Mulher de Gelo" por longos quatro anos, desde a derrota para a Rússia em Atenas a jogadora desperdiçou ataques importantes no quarto set, quando o Brasil precisava de apenas um ponto para fechar o jogo e se classificar à final.
"Ninguém merece mais essa medalha do que a Mari. Ela foi crucificada sem ter culpa. Viveu quatro anos perturbada por causa de uma bola", disse a carioca. "Para quem criticou, silêncio total. Agora, vão ter que aplaudir de pé, pois somos campeãs olímpicas", acrescentou a atacante criada em Rolândia, Norte do Paraná.
Ontem era mesmo o dia da redenção de Mari. A jogadora comemorou seu aniversário de 25 anos sendo bombardeada pelas americanas. Na tentativa de desestabilizar a atleta, os Estados Unidos direcionaram a maioria dos saques para cima da camisa 3, principal arma ofensiva do time de Zé Roberto.
"Isso é tática. Quiseram me tirar do ataque, mas não conseguiram", explicou a maior pontuadora do Brasil, com 14 acertos. "Foi coisa de Deus ganhar um presente desses. Não foi fácil, a gente passou por muita coisa. Essa é a prova do nosso trabalho. Tínhamos motivos para desistir, achar que éramos fracassadas, mas não fizemos isso. Essa medalha é a prova", prosseguiu.
Zé Roberto também saiu em defesa da jogadora. O técnico contou passo a passo a estratégia que formulou para recuperar o voleibol da atacante, afastada da seleção no ano passado por não "estar com a cabeça no lugar".
"Quando eu decidi ir para a Itália (treinar Scavolini Pesaro), levei a Mari comigo. Precisava acompanhá-la de perto e adaptá-la a uma nova função (deixou de ser ponteira para ser oposto, assumindo o lugar de Sassá na seleção). Ela focou a equipe e deu a volta por cima. Merece tudo o que está acontecendo."
Passada a euforia inicial, Mari retomou a velha frieza, característica principal da descendente de russos e alemães. Não sem antes mandar outro recado aos detratores. As palavras, escolhidas a dedo.
"Não vivo por causa de uma bola. Sou atacante e bato não sei quantas bolas por jogo. Aqui ninguém mais comenta nada sobre Atenas. Costumo olhar para frente. Se fosse me apegar a este tipo de coisa, não teria sido campeã agora", comentou, encerrando a entrevista e entrando no vestiário, onde foi ovacionada pelas companheiras. Enfim, a "Mulher de Gelo" voltou a sorrir.







