
A relação entre força econômica e número de conquistas costuma ser diretamente proporcional no esporte. Nessa conta, porém, o Brasil não segue a tendência, ao se avaliar o desempenho projetado para a Olimpíada de Londres, que começa daqui a 38 dias. Apesar de ser uma economia emergente, o país mantém estável o seu desempenho.
Considerando fatores como economia, tamanho da população, níveis médios de renda e apoio governamental ao esporte, os brasileiros vão repetir na capital inglesa as 15 medalhas conquistadas há quatro anos, em Pequim.
A estimativa é do britânico John Hawksworth, economista-chefe da rede de empresas de consultoria em negócios e tributos PwC, e foi publicada no relatório Economic briefing paper: Modelling Olympic performance (Documento de informação econômica: Modelo do desempenho Olímpico), que a instituição faz desde os Jogos de Sydney, em 2000.
As 15 medalhas brasileiras apontadas pelo estudo correspondem às pretensões do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que tem como meta repetir o número de conquistas na China (em Pequim, foram três ouros, quatro pratas, oito bronzes) e deixar para dar um salto de desempenho daqui a quatro anos, no Rio-2016, em que pretende subir do 23.º lugar geral para o top 10.
Em 2008, o Brasil foi o 16.º país que mais subiu ao pódio, posição que, pelo relatório, seria mantida em Londres, graças à combinação de seu próprio crescimento econômico aliado à desaceleração na Europa e à perda do investimento no esporte em países do antigo bloco comunista.
Mas o Brasil poderia ser mais ousado se a relação "economia igual a mais pódios" fosse levada à risca: em relação ao que foi investido para os Jogos de Pequim, o esporte nacional recebeu quase o dobro para a preparação este ano. Apenas em relação à Lei Agnelo/Piva, dinheiro repassado por loterias, o montante saltou de R$ 314,7 milhões (2004-2008) para R$ 531,1 milhões (2009-2012).
Já a dona da casa optou por fazer o salto qualitativo em duas etapas. Em Atenas (2004), foi décima colocada, com 30 medalhas (9 ouros) para, em Pequim, chegar ao quarto lugar (47 medalhas, 19 ouros), com chances de fazer ainda mais bonito em casa. O estudo da PwC prevê que a Grã-Bretanha conquiste 54 pódios neste ano.
E os chineses, em outra via, devem deixar o topo do ranking, conquistado em casa o posto deve voltar para os Estados Unidos.



