
"Amahoro" significa paz, em linguagem kyniarwanda, a língua nativa de Ruanda, e é o nome do estádio nacional, onde a seleção, 102.ª colocada no ranking da Fifa, manda seus jogos. Para a população, no entanto, o futebol é muito mais que um esporte, significa também a chance de reconciliação de um país que se dividiu em 1994 e resultou na morte de um milhão de pessoas em um genocídio.
Com esse espírito e também boa dose de amor ao futebol, Ruanda não decepcionou nas Eliminatórias apesar de não ter se qualificado e mostra que o campeonato que iniciou há dois meses, com 12 clubes, pode colocar o país em seu primeiro Mundial dentro de cinco anos.
Para isso, conta com diversos programas de reconciliação nacional que usam o futebol como intermediário para reduzir as diferenças entre os grupos étnicos tutsis e hutus, que dominam Ruanda. Na capital Kigali, vários professores de educação física se revezam nos treinamentos dirigidos aos jovens de 10 a 18 anos.
No Centre de Jeune, no bairro de Kyniasagra, região pobre da cidade, o diretor Ntyrengannio Emmanuel fala sobre a importância do futebol naquela área. "Houve redução da violência e, além disso, as nossas crianças também começaram a ter um pouco mais de esperança no futuro. Muitas delas tiveram seus mortos e o esporte pode salvá-las."
No interior do país o quadro não é diferente. Vários campos de terra são parte do cenário. "A população tem verdadeiro amor pelo futebol. Como eu também gosto, é uma forma de aliar o trabalho com prazer, além de ajudar outras pessoas", disse o alemão Benedicte Beilharz, que é voluntário de um programa da Fifa na região de Gyseni, no Oeste de Ruanda.
Apesar da admiração pelos craques brasileiros, nem todo ruandês será um torcedor do Brasil na Copa. Ligados em tudo o que acontece na Liga Inglesa, é comum ver os bares lotados em dias de jogos do Chelsea, o preferido; Liverpool, Arsenal, Manchester United e outros clubes menos cotados.
"Temos muitos atletas que vão para a Inglaterra jogar e a televisão sempre mostra o campeonato (inglês). Por isso, torcemos muito pelos times ingleses", concluiu Jacques Bouging, que chegou a disputar a terceira divisão da Inglaterra e o campeonato da vizinha Uganda.






