
Uma derrota por si só desastrosa e ameaçada de ter proporções ainda mais terríveis neste domingo. O Paraná sonhava em dormir aliviado pelo menos uma noite depois de 38 dias e sete rodadas seguidas na zona de rebaixamento. Mas o 3 a 2 do Botafogo, no Maracanã, comprometeu a sobrevivência tricolor.
Para piorar, o resultado de hoje entre os concorrentes diretos ao descenso, Goiás e Corinthians, pode tornar praticamente irreversível a reabilitação do time no Campeonato Brasileiro. A torcida é por um empate em Goiânia.
A salvação paranaense depende de vitórias contra Santos e Vasco e de uma matemática cada vez mais complicada. A derrota de ontem elevou de 73% para 81,1% as chances de o calendário paranista incluir a Segundona em 2008.
Não adiantou o exaltado novo ânimo do elenco e nem os três jogos sem perder. A sina como visitante voltou a castigar o time, que agora acumula 12 jogos consecutivos sem vitória longe da Vila Capanema. Foram 11 tropeços e um único empate em quase cinco meses de jejum.
Enquanto no primeiro tempo a defesa paranista manteve o mesmo desempenho das últimas rodadas, nas quais passou em branco, o ataque desandou. A marcação eficiente no meio-de-campo e as (poucas) defesas de Gabriel garantiram o placar fechado até o intervalo.
Já a falta de força e de pontaria comprometeram os arremates. Tanto que o Tricolor construiu sua melhor chance meio sem querer. Vandinho cruzou da esquerda e a bola acabou desviada pelo travessão assustando os botafoguenses.
"Marcamos bem, mas não jogamos", reconheceu o capitão Nem. Punido ontem com o terceiro cartão amarelo, ele desfalcará o time contra o Santos.
O esquema do técnico Saulo de Freitas sofreu um baque aos 32 minutos. Símbolo da recuperação paranista e com contrato recém-renovado essa semana até 2012 Jumar saiu de campo com uma complicação estomacal, que também afetou Léo Matos. Com a entrada de Giuliano, a marcação arrefeceu e o time ainda perdeu o oportunismo do volante, autor do gol da vitória sobre o Goiás, na rodada anterior.
E foi Giuliano quem perdeu a bola e deu o contra-ataque aos cariocas para o início do pesadelo. Uma jogada para fazer o torcedor responsável pela faixa "Zé Roberto e Dodô, vão com Deus", ficar com uma pontinha de arrependimento os dois anunciaram interesse em deixar o Fogão em 2008. O primeiro cruzou e o segundo bateu de primeira, aos 2 do segundo tempo.
A forma como o Botafogo ampliou desmontou o Paraná. Uma falta da intermediária cobrada por Juninho desviou na barreira e enganou o goleiro Gabriel.
A tentativa de reação não durou um suspiro. Josiel marcou aos 20 e Lúcio Flávio estragou a comemoração no minuto seguinte. Giuliano ainda se redimiu da falha no primeiro lance e descontou. Ele pôs ânimo na luta que durou, em vão, até o apito final.



