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Responsável por comprar o jogo entre Paraná e Inter da próxima terça-feira (3), o empresário Carlos Werner assegura que terá lucro mínimo com o investimento, mesmo com a compra de toda a carga de ingressos por parte da torcida paranista.

TABELA: jogos e classificação do Brasileirão - Série B

A aquisição dos direitos da partida aconteceu ainda em maio, após um apelo da diretoria do Tricolor, que precisava de dinheiro para pagar a folha salarial de junho. Na ocasião, Werner pagou R$ 400 mil ao Paraná pela ‘compra do jogo’. “O custo hoje é dobrado, se aproxima de R$ 800 mil, existem taxas, impostos”, esclareceu Werner em entrevista à Rádio Transamérica, na última sexta-feira (29).

Já o Atlético, de forma não oficial, destinou-se R$ 250 mil, divididos em R$ 100 mil de aluguel e R$ 150 mil pelos custos de abrir a Arena.

“Estou com a expectativa de lucro de R$ 90 mil, porque temos muitos impostos. Quando se faz uma conta rápida, 40 mil ingressos a R$ 30 daria R$ 1,2 milhão. Mas temos 3 mil sócios torcedores [que pagam mensalidade e não compram ingresso], além disso”, prosseguiu.

Quem é o investidor do Paraná?

A campanha positiva do Paraná na Série B de 2017 conta com a força crucial de um personagem quase oculto.

De perfil discreto e avesso a entrevistas. E que tem as categorias de base como seu maior “xodó”. Mecenas, superintendente, investidor. São várias as alcunhas para definir o papel de Carlos Werner na Vila Capanema nos últimos anos.

TABELA: Veja a classificação e os jogos da Série B

Definições à parte, a influência do bem sucedido empresário do ramo de estruturas metálicas na reviravolta do destino do Tricolor nos últimos anos é inquestionável.

O fim do social, enxugamento da estrutura física, enfrentamento das dívidas trabalhistas, quitação da famigerada dívida do caso Thiago Neves, capacitação da base, pagamentos em dia, profissionalização: por cima de todas estas batalhas recentes da atual diretoria, paira a figura de Werner, espécie de porto seguro tricolor.

“Minha importância está em ajudar a reconstruir o Paraná sem pedir nada em troca. Fiz e faço o que sempre acreditei”, defende o empresário, atual superintendente da base do clube. Foi ele quem comprou os direitos do duelo contra o Internacional, na próxima terça-feira (3/10), na Arena da Baixada.

Partida que extrapola o aspecto desportivo. A ostensiva campanha de marketing para lotar a Baixada simboliza o resgate da autoestima dos paranistas. “Eu entrei no Paraná por esse motivo”, diz Werner.

A compra da partida contra o Inter, por sinal, fez Werner sair “das sombras” no Paraná e conceder entrevistas a diversos veículos de comunicação, uma raridade tendo em vista o comportamento habitual do empresário. “Evitei a imprensa por muito tempo porque não sou favorável a que o povo tenha admiração muito grande por uma pessoa. Criar heróis em pouco tempo não é bom para nenhuma empresam, clube ou país”, explica.

Projeto de longo prazo

Carlos Werner acompanhando leilão da sede social do Boqueirão, em abril.Henry Milleo/Gazeta do Povo

No início de 2014, então sob a gestão do ex-presidente Rubens Bohlen, o cenário no CT Ninho da Gralha, então casa da base paranista em Quatro Barras, era desolador: salários atrasados, estrutura física defasada, descrédito.

Foi então que um grupo gestor encabeçado por Werner assumiu o comando. Ao seu lado, Leonardo Oliveira, atual presidente do clube. A dupla liderou o processo de reestruturação que tornou o Ninho em uma espécie de ilha da prosperidade em meio ao caos que assolava o clube.

O grupo ganhou força, enquanto a diretoria comandada por Bohlen sucumbia. O estopim para a revolução foi a fala do ex-gerente de futebol, Marcus Vinícius, de que o Paraná podia fechar as portas. Ao lado de outros oito parceiros, Werner e Oliveira formaram o grupo Paranistas do Bem, que passou reivindicar a renúncia de Bohlen.

Em março de 2015, após intensa pressão interna, o ex-mandatário enfim deixou o cargo e abriu espaço para os Paranistas do Bem tomarem o posto. Em setembro do mesmo ano, a eleição de Oliveira nas urnas legitimou o poder do grupo gestor no Tricolor.

Contrapartida?

Werner não assumiu cargo na diretoria, mas seguiu firme nos bastidores. Investiu dinheiro diretamente no futebol. Chegou a ajudar em despesas cotidianas, como contas de água e luz atrasadas. Sempre buscando se afastar dos holofotes e da exposição pública.

Mais de três anos depois, a soma total do dinheiro colocado pelo empresário no clube extrapola a casa dos R$ 10 milhões. Werner assegura ajudar por amor e não pedir nada em troca. No entanto, todos os valores injetados pelo empresário no clube são registrados em contratos de mútuos avaliados pelo Conselho Fiscal do clube.

Ninho na Justiça

Em fevereiro de 2016, Werner entrou com uma ação na Justiça cobrando a execução de um título extrajudicial no valor de R$ 10,3 milhões, referente a empréstimos feitos por ele ao clube entre setembro de 2105 e janeiro de 2016.

O clube ofereceu o Ninho da Gralha como garantia do pagamento. O empresário, então, pediu na Justiça a posse da propriedade como forma de pagamento. Oficialmente, clube e Werner não comentam o episódio.

A reportagem apurou, entretanto, que a ação judicial fez parte de uma estratégia entre clube e investidor para tentar salvar o CT de outros credores ou até mesmo de um possível leilão. Werner ficaria com o imóvel e o arrendaria ao Tricolor. “Não tenho interesse nenhum em ter um CT para mim”, aseegura.

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