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Série B

Parceiro coxa anuncia fim de paternalismo

L.A. Sports diz que acerto com o Coritiba será menos abrangente em 2011. Empresário vê clube com maior autonomia financeira a partir de agora

Jogadores do Coritiba comemoram o retorno do clube à elite do futebol brasileiro no gramado de São Januário, no Rio de Janeiro. Clube pode ser bicampeão da Série B no sábado, em casa, contra o Figueirense | Albari Rosa/ Gazeta do Povo – enviado especial
Jogadores do Coritiba comemoram o retorno do clube à elite do futebol brasileiro no gramado de São Januário, no Rio de Janeiro. Clube pode ser bicampeão da Série B no sábado, em casa, contra o Figueirense (Foto: Albari Rosa/ Gazeta do Povo – enviado especial)
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A relação entre Coritiba e L.A. Sports irá mudar em 2011. A empresa, dona de um bom quinhão de atletas dentro do clube, não pretende mais colaborar financeiramente. "A parceria será menos abrangente", confirma o advogado Luiz Alberto Mar­­tins de Oliveira, responsável pela agência especializada em futebol, que mantém também uma espécie de cogestão com o Avaí, de Santa Catarina – antes, por cerca de cinco anos, a L.A. colaborou com o Paraná Clube.

Para se ter uma dimensão do atual relacionamento, Rafinha, Leonardo, Léo Gago e Marcos Paulo, as joias da coroa da galeria de atletas da L.A. no Coxa, foram responsáveis por 26 dos 63 gols (41,2%) que o clube marcou nesta campanha de retorno à elite do futebol brasileiro. Números que fizeram Vilson Ribeiro de Andrade, vice-presidente alviverde, enaltecer o acordo. "Tem sido muito positivo", disse ele.

Por "menos abrangente" leia-se que o novo casamento não en­­volverá dinheiro. "Até porque o Coritiba, na Série A, não irá mais precisar, tenho certeza", explica o empresário.

Luiz Alberto conta que a L.A. assumiu nesta temporada o pagamento das luvas (espécie de gratificação acertada no momento em que o contrato é assinado) do meia Rafinha e de parte do salário do volante Andrade, indicação do técnico Ney Franco, que chegou ao Alto da Glória no começo deste ano. O empresário preferiu não revelar valores, mas a Gazeta do Povo apurou que o crédito da L.A. apenas em relação à negociação de Rafinha é de R$ 150 mil. "Ficamos combinados que no momento em que houver uma venda, tudo será acertado", diz Luiz Alberto.

"Fio do bigode" que não existirá mais na próxima temporada. O empresário já programou um período sabático para o primeiro semestre do ano que vem. Irá viajar pela Europa, visitando clubes. Quer se desligar até mesmo do Avaí, com quem possui uma parceria ainda mais estreita. "Só fico se o time cair para a Segunda Divisão. Aí é uma questão de honra recolocá-lo no seu devido lugar", ressalta.

Em relação ao Coritiba, promete seguir como um colaborador. Podendo, e se houver interesse, manterá o atual grupo no Alviverde – apenas o vínculo de Marcos Paulo não termina após a definição da Série B.

Há, ainda, o indicativo de que outras peças podem desembarcar no Couto Pereira, casos de Eltinho, Van­­dinho e Davi, que já receberam sondagens do clube. Negociações que dependem do treinador que substituirá Ney Franco – o nome será divulgado na próxima segunda-feira. "Não tenho dúvidas de que se trata de um grande parceiro", elogia Ribeiro de Andrade, sem entrar em detalhes sobre o futuro.

Clube deixa as "vacas magras"

Passados os infortúnios da Se­­gunda Divisão, o Coritiba esboça agora uma nova planilha financeira. A primeira constatação é óbvia: a maior exposição na mídia, fruto do retorno à elite do futebol nacional, resultará em um orçamento bem mais robusto em 2011 – a previsão é que o clube feche esta temporada com uma movimentação financeira de R$ 30 milhões.

A estimativa de receita, graças ao acesso, apresentada aos conselheiros do clube, terá um acréscimo de 46% – um bônus tido como insuficiente. "Atualmente fica muito difícil fazer futebol com um orçamento anual inferior a R$ 80 milhões", admite Vílson Ribeiro de Andrade, vice-presidente coxa.

A cota de televisão, principal fonte de recursos, irá dobrar, voltando aos patamares de 2009, o ano do rebaixamento, atingindo a casa dos R$ 12 milhões (fora o valor do pay per view). Há, também, o desejo de fazer o Couto Pereira – e a torcida – render ainda mais dividendos ao clube.

Planos ambiciosos. A estimativa, explica o diretor Ernesto Pedroso, é que o interesse em ver in loco o Alviverde enfrentar Flumi­nense, São Paulo e Grêmio, entre outros, possa fazer com que o quadro associativo salte dos atuais 17 mil torcedores para 25 mil, o que geraria uma renda mensal estimada em R$ 1,75 milhão/mês. "Seria o suficiente para bancar as despesas do futebol", diz o dirigente, já projetando que os gastos com o departamento também devem se elevar – a folha salarial atual, com impostos, gira em torno de R$ 1,4 milhão por mês.

O planejamento prevê ainda a construção de novos camarotes e a exploração de painéis de publicidade. A expectativa é que somente as placas instaladas nas arquibancadas devam render mais R$ 500 mil a cada 30 dias. Números que serão incrementados por patrocinadores.

O contrato com o banco BMG, anunciante master, termina no fim deste ano, mas já há conversações para a renovação. O mesmo raciocínio vale para a empresa Ira, especializada em peças para mo­­tos, que também estampa sua marca no uniforme coxa.

"Na Série A vendemos o clube de outra forma, estamos no centro da mídia. Qualquer negociação fica bem mais fácil", afirma Pedroso. "O produto Coritiba volta a se valorizar", fecha An­­drade.

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