Há 13 anos no clube, a história do volante Goiano se confunde com a trajetória do Paraná Clube na última década. Os mesmos altos e baixos vividos pelo Tricolor, o jogador experimentou nesses 13 anos de casa. Casa mesmo, pois ele diz que passa mais tempo na Vila Capanema do que em sua residência, no bairro Boqueirão, em Curitiba. "O Goiano tem a cara do Paraná", lembrou Luiz Alberto Oliveira, proprietário da LA Sports, que ajudou na renovação de contrato do patrimônio tricolor.
Em 1996, Goiano iniciou a carreira nas categorias de base do Paraná, na Vila Olímpica do Boqueirão. "Eu sou muito feliz aqui dentro, Deus sabe o que faz", disse o volante, sem esconder frustração por não ter realizado o sonho de jogar no futebol do exterior. "Em 2005, estava tudo certo para ir jogar na Rússia, já tinha até comprado a passagem. Mas acabei participando de uma partida e me machuquei e os caras desistiram do negócio".
De contrato renovado até o fim de 2009, ele espera, em breve, ganhar a confiança do técnico Sérgio Soares, um dos tantos treinadores que viu passar pelo Durival Britto. "Posso jogar onde precisar: na lateral, no meio-campo, na zaga, não tem problema", avisou o volante de origem. Confira a entrevista completa de Goiano à Gazeta do Povo.
Gazeta do Povo: Como você avalia seus 13 anos de Paraná Clube?
Goiano: Muito bom. Aqui é mais minha casa do que minha própria casa. Cheguei aqui com 15 para 16 anos então já nem sei como é viver longe daqui.
GP: Mas você quase foi obrigado a ficar longe. Você estava sem contrato. O que passou pela tua cabeça?
Goiano: A gente fica assustado. Eu tenho família, duas filhas (Bruna e Caroline), minha esposa e minha mãe que dependem do meu trabalho. Mas sempre tive fé em Deus e sabia que as coisas iriam dar certo.
GP: De contrato renovado até o fim do ano, como conquistar espaço no time-base já formado?
Goiano: Bom, eu fiquei porque o professor Sérgio Soares fez uma avaliação, gostou do meu futebol. Então, o que eu preciso agora é recuperar a parte física, pois tive uma lesão de joelho que atrapalhou meu retorno. Posso jogar onde precisar: na lateral, no meio-campo, na zaga, não tem problema.
GP: Por falar em lesão, você teve o mesmo problema nos dois ombros, entre 2001 e 2004, como foi isso?
Goiano: É verdade. Foi assim: Primeiro machuquei o lado esquerdo. Mas como estava bem no time, que era treinado pelo Bonamigo, resolvi continuar. Forcei o local e joguei machucado por 1 ano e meio. Para proteger o lado machucado, quando caia no gramado, escolhia sempre o lado direito que estava bom para cair. O resultado é que machuquei os dois ombros no mesmo lugar. Tive de fazer cirurgia dos dois lados. Daí só voltei bem mesmo em 2006.
GP: Aliás, em 2006, você foi campeão paranaense jogando de improviso pela lateral-direita. Você considera aquele o seu melhor momento na carreira?
Goiano: Sem dúvida. O Barbieri (técnico do Paraná na ocasião) estava sem opção na lateral. Aí ele me escalou na posição contra o União Bandeirante, eu fiz o gol que garantiu a classificação do time. Depois disso, veio arrancada para o título. No Brasileiro, o Caio Júnior me manteve na posição, mas aí tive uma lesão de púbis e acabei ficando fora novamente.
GP: Você esteve próximo de acerto com o futebol russo, em 2005, o que aconteceu que você acabou não indo?
Goiano: Foi uma pena. Eu já tinha até comprado a passagem. Na época, o técnico era o Gílson Kleina. Já estava tudo certo, mas ele pediu pra que eu jogasse uma partida e eu aceitei. Só que tive azar e me machuquei. Fiquei 20 dias afastado, e os caras desfizeram o negócio. Não deu certo. Mas acredito que nada é por acaso na vida.
GP: Está nos seus planos jogar em outro clube?
Goiano: Olha, penso em ajudar o Paraná. Mas claro se surgir algo muito bom na parte financeira, não posso perder. Mas estou feliz com a minha vida no Paraná. Já fui emprestado uma vez ao Maringá.
GP: O que pensa em fazer quando encerrar a carreira?
Goiano: Ainda tem tempo. Penso em jogar até os 36 anos. Paro antes se eu sentir que não estou rendendo nada, que não sou mais útil ao time. Mas quero ser treinador. Para isso, quero estudar, fazer uma faculdade de Educação Física, me preparar. Não quero começar na carreira sem estudo. Nesses anos todos de Paraná, aprendi que para ser um grande técnico é preciso ter conhecimento, só vontade não resolve.



