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Copa 2014

Petraglia critica morosidade em relação à Arena

Ex-presidente do Atlético diz ser “coisa de inexperiente” o clube não pegar o dinheiro do BNDES para concluir o estádio para a Copa

Para Petraglia, Atlético errou ao negociar cotas de tevê pelo C13 | Albari Rosa/ Gazeta do Povo
Para Petraglia, Atlético errou ao negociar cotas de tevê pelo C13 (Foto: Albari Rosa/ Gazeta do Povo)
Petraglia durante entrevista à equipe de Esportes da Gazeta do Povo, na quarta-feira |

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Petraglia durante entrevista à equipe de Esportes da Gazeta do Povo, na quarta-feira

No meio das discussões envolvendo a conclusão da Arena da Baixa­­da para a Copa do Mundo de 2014, um personagem reaparece: Mário Celso Petraglia. Sabatinado ontem pelos jornalistas da Gazeta do Povo, o ex-presidente do Atlético atacou a morosidade dos governantes e a decisão do clube de recusar o empréstimo do BNDES [Banco Nacional de Desen­vol­vi­men­­­to Econômico e Social] para con­­­cluir o estádio.

"É um absurdo. Por que não? Primeiro se viabiliza. De onde vai se buscar o dinheiro para pagar é outra conversa. Agora, você eliminar sem nenhuma alternativa, isso é coisa de inexperiente", atirou, quebrando o silêncio pelo qual havia optado desde que deixou a condução do processo.

De acordo com ele, a Copa pode até acabar indo para o Alto da Glória. "O que me consta é que o Coritiba pretende reformar o Couto Pereira e ser uma opção caso Curitiba não conclua a Arena", afirmou, dizendo ser inviável a construção de um estádio novo – como o projeto que vazou na semana passada, e foi confirmado pela diretoria alviverde, na área do Pinheirão. "Chance zero", cravou.

Também não poupou de críticas à ideia do Coxa em bancar uma nova obra. "É uma grande burrice", justificou, defendendo ainda a tese da Arena Atletiba como a melhor saída.

Petraglia disse que em dois meses terá de ser definido, enfim, quem financiará a obra no Joaquim Américo. "Na última reunião com os 12 representantes das subsedes, ficou acertado que em 60 dias terá de estar escrito em documento quem pagará a conta", afirmou.

O gestor de Curitiba para assuntos da Copa, Luiz de Carvalho, contesta o prazo, dizendo que "não houve nenhuma imposição de data ou cobrança".

Segundo Petraglia, diante do impasse causado pela impossibilidade legal de investimento do poder público, ele chegou a cogitar o anúncio, em fevereiro de 2009, do fim da candidatura da capital paranaense. Teria sido demovido pelos outros integrantes do comitê.

"A Fifa iria nos visitar e queria saber, como hoje, quem viabilizará os recursos. E foi uma briga. O ex-governador [Roberto Requião] me disse com todas as letras que não teria dinheiro público", contou. "Eu disse que comunicaria à população que Curitiba estaria abrindo mão da proposta. Me proibiram, disseram que eu estava loco, que assinariam todos os documentos possíveis, imagináveis e comprometedores. E assim fizeram."

O ex-presidente rubro-negro afirmou que no início a intenção era de o clube bancar tudo. Mas, com a mudança do caderno de encargos da Fifa em 2007, e a sua complementação em 2008, isso teria se tornado inviável. "O caderno era de 1995. Nós, com pouco dinheiro, terminaríamos", garantiu. "Começamos então a negociar com o governo, deixando claro que não teríamos condições de executar as exigências. Isso constou em todas as propostas enviadas à Fifa, com uma garantia solidária entre governo estadual, prefeitura e clube para cobrir a diferença."

Diante do impasse na época, tentou justificar a injeção de dinheiro público citando o exemplo dos estádios estatais, que seriam arrendados por empreiteiras. "Ele serão explorados por 35 anos. Quando for devolver, não vale nada", previu, vendo uma perspectiva aterradora caso Curitiba seja excluída da Copa: "O futebol paranaense ficaria mais 100 anos na mediocridade."

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