
Ainda não foi na Escola de Governo, ontem, que o poder público explicou com detalhes a estratégia que possibilitará a engenharia financeira para adequar o projeto da Arena da Baixada para a Copa de 2014. Ao menos agora já é definitivo que o termo de ajuste de conduta entre os envolvidos (Atlético, prefeitura e governo) será assinado em uma cerimônia na próxima segunda-feira, às 14 horas, no estádio atleticano autoridades da CBF e da Fifa serão convidadas.Na noite da segunda-feira passada, as partes se reuniram no Palácio das Araucárias, mas a batida de martelo ficou para amanhã, em novo encontro. O entrave que impediu a oficialização do termo foi uma exigência da cúpula rubro-negra de ver o projeto de lei do potencial construtivo que será enviado pela prefeitura à Câmara dos Vereadores.
Conforme a reportagem apurou, a direção do Furacão aceitou esperar até a reunião de amanhã para ter acesso ao plano que está sendo finalizado pelo departamento jurídico do município. "São pequenos detalhes técnicos, mas já está praticamente tudo certo", desconversa o governador Orlando Pessuti, sem dar detalhes.Agora, a preocupação do governador é com a paralisação da Assembleia Legislativa para a campanha eleitoral da maior parte dos deputados. Nada será votado pelo legislativo estadual antes do pleito do dia 3 de outubro. "Temos de entender. Todos têm o direito de fazer sua campanha. Mas que atrapalha, atrapalha", admite Pessuti.
O projeto de lei que pede isenção de impostos para os fatos geradores do Mundial está encalhado na Comissão de Constituição e Justiça da casa. O poder público estadual ainda estuda se mandará para apreciação dos deputados outro projeto que cede empréstimo do Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE). Não há certeza jurídica de que seja necessária a aprovação legislativa para a manobra.
Por ora, o único acordo assinado não diz respeito ao estádio para a competição da Fifa. Os R$ 229 milhões confirmados ontem, por meio da Caixa Econômica Federal, são para obras de infraestrutura em Curitiba e Região Metropolitana. Os recursos são do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal e estavam garantidos desde que a administração estadual conseguiu acertar os detalhes com o banco estatal na data limite para empréstimos em 2010: 2 de setembro, prazo imposto por se tratar de ano eleitoral.
Convidados ignoram a convocação do governador
Das 53 entidades que formam o comitê paranaense da Copa do Mundo, convidadas a participar do anúncio oficial da assinatura do financiamento para o estado de R$ 229 milhões do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) do Mundial, quase nenhuma compareceu. O evento ocorreu ontem, na Escola de Governo, no teatro do Museu Oscar Niemeyer.
Além das autarquias governamentais e da comissão da Câmara de Vereadores, somente um representante do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) apareceu. Quando o governador Orlando Pessuti e seus principais assessores estavam em frente à plateia, houve o pedido para que os participantes do imenso comitê se levantassem. Seis pessoas ficaram em pé no auditório lotado.
Nem mesmo o Atlético, dono do estádio que sediará os jogos da competição, mandou representante. Ao mesmo tempo em que a assinatura ocorria com o governador Orlando Pessuti e dirigentes da Caixa Econômica Federal, na manhã de ontem, o presidente atleticano, Marcos Malucelli, estava no treino do Rubro-Negro na Arena. O dirigente da Baixada perguntou aos repórteres que cobrem o clube se já sabiam de "algo novo na Escolinha".
Recentemente, Malucelli disse que o evento organizado pelo governo a cada terça-feira era de "mau gosto". A Federação Paranaense de Futebol também não mandou representante ao encontro. A reportagem tentou falar com o presidente Hélio Cury, mas ele alegou estar em uma reunião de sua empresa para não conceder entrevista.
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