
Uma semana depois de vencer seu segundo título de campeã brasileira no vôlei de praia, a paranaense Ágatha ainda compara as duas conquistas. E pode dizer que a segunda vez foi ainda melhor, porque confirma a retomada da carreira da paranaense de 30 anos.
"São sensações diferentes. No primeiro [em 2013], fomos uma surpresa, despontamos no final da competição, nossas adversárias não foram bem. O bicampeonato foi mais batalhado, tínhamos a responsabilidade de defender o título contra duplas muito fechadas e por isso tudo foi tão maravilhoso", compara a curitibana radicada em Paranaguá, que mora e treina no Rio de Janeiro.
Mais que chegar e se manter no topo do pódio, Ágatha sabe que conseguiu algo pouco comum entre os atletas de alto rendimento: voltar a figurar entre os principais talentos de uma modalidade depois de um período de ostracismo. Ela despontou em 2005, quando fazia dupla com a já campeã olímpica Sandra Pires. Naquele ano, a bloqueadora de 22 anos foi eleita atleta revelação da temporada. Em uma modalidade sempre ávida por encontrar novas beldades, a jovem de 1,82 metro também logo ganhou status de musa.
Seguiu competindo, mas as vitórias escassearam. Dizer que a carreira estagnou seria exagero, afinal, pódios seguiram sendo conquistados, com outras parcerias, como Shaylyn e Raquel, no mesmo período em que a dupla Juliana e Larissa, que monopolizaram o Circuito Brasileiro (ganharam cinco títulos entre 2005 e 2011).
"Minha carreira oscilou. Cresci até 2008 e, no ano seguinte, apaguei. Fiquei sem parceria, tentei novas duplas, cheguei a ficar treinando na rede com a Talita e a Maria Elisa, enquanto elas se preparavam para a Olimpíada de Londres" relembra.
No período de "vacas magras", cursou um ano de Jornalismo, apostando em outra profissão. A família, em Paranaguá, também quis que ela desistisse da rotina de atleta. Cogitaram até que se candidatasse vereadora como alternativa.
A hora da virada foi no segundo semestre de 2011, quando Bárbara Seixas e seu marido, o técnico Rico de Freitas, voltaram da Turquia e procuravam alguém para formar um time. "Eu já conhecia a Ágatha e sabia que era uma atleta de qualidade. Decidi então priorizar a preparação física dela para ter o máximo tecnicamente. Apostamos em treinamentos de força muscular. Como é bloqueadora, precisa saltar muito e bem. Se já ela já passou dos 30 anos não me interessa. O que importa é a idade que apresenta em quadra e, para mim, não é nada diferente da Babi [Bárbara, 26 anos]", fala Rico.
O responsável por "realinhar" o físico de Ágatha foi o preparador físico Renan Rippel, que há um ano casou-se com a curitibana. "Perdi peso, de 76 kg para 70 kg. Foi o degrau que faltava. Ganhei força, me desloco com muito mais facilidade na areia", fala a atleta.
Outro reforço veio com uma ajudinha vinda dos gramados. O atacante holandês Seedorf indicou a psicóloga Maira Ruas para trabalhar com Ágatha e Babi. O craque holandês, hoje técnico do Milan, trabalhou com a psicóloga no período em que defendeu o Botafogo e sugeriu a profissional a Rico de Freitas, que tem proximidade do Alvinegro porque seu pai, Bebeto de Freitas, foi ex-presidente do clube carioca. Coincidência ou não, logo após as primeiras sessões, a dupla conquistou o primeiro título em uma etapa do circuito brasileiro, em João Pessoa (PB), em 2012.
"O esporte brasileiro está sempre atrás de um novo ícone no esporte, mas esquece de olhar para o que existe na fase de preparação desses ícones. Temos uma equipe que também conta com assistente técnico e é esse conjunto que deu a ela condições de brigar por títulos", destaca o treinador. Ágatha concorda. E quer mais.



