
O beisebol começa mais uma investida para retomar seu status olímpico. A terceira edição do World Baseball Classic, com a primeira rodada amanhã, em Fukuoka, no Japão, é uma das bandeiras usadas para promover a modalidade, excluída dos Jogos após a Olimpíada de Pequim, em 2008.
O Brasil pegou carona nessa "cruzada" encampada pelo presidente da International Baseball Federation (IBAF), Riccardo Fraccari, e pela Major League Baseball (MLB), que comanda o esporte nos EUA, e custeia as passagens aéreas e a estada das 15 delegações que viajaram ao Japão para o Classic.
Não fosse o apadrinhamento financeiro, a seleção brasileira correria o risco de não desfrutar da classificação inédita ao torneio, conquistada no ano passado.
Com a perda do selo olímpico, dado recentemente ao golfe e o rúgbi, o esporte deixou de receber recursos da Lei Piva, que destina parte da arrecadação das loterias federais ao esporte olímpico e paralímpico. Desde então, a situação é de penúria. "Não temos dinheiro para nada", admite o vice-presidente da Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol (CBBS), Estevão Sato.
O suporte da MLB também foi determinante para garantir o passaporte ao torneio no Japão, considerado como um mundial da modalidade. Para tanto, o Brasil teve de superar o favoritismo do Panamá diante da torcida adversária, em novembro do ano passado. Em dois confrontos equilibrados, a equipe verde-amarela venceu por 3 a 2, na estreia, e por 1 a 0, na grande decisão. A outra partida da campanha também foi uma vitória, contra a Colômbia, por 7 a 1.
"Graças a essa ajuda conseguimos montar a nossa melhor seleção, com jogadores que atuam nos Estados Unidos e no Japão. Seria difícil até pagar a passagem para eles virem jogar", explicou o primeiro secretário da CBBS, Thales Barcellos.
Com o resultado, a equipe ficou entre as 20 melhores do ranking da IBAF, garantindo o melhor momento da sua história. Ao final de 2011, a seleção estava no 33.º lugar. Foi o segundo maior salto, atrás apenas de Israel, que subiu 20 posições com seu bom desempenho nas eliminatórias do WBC.
Além dos resultados, o país conta pela primeira vez com um jogador na MLB: o catcher paulista Yan Gomes, do Toronto Blue Jays. Outros 13 brasileiros têm contrato com equipes da liga. Entre eles, o paranaense Leonardo Reginatto, que começou no Paraná e atua nas categorias de base do Tampa Bay Rays.
No comando, o time nacional tem a surpreendente presença de um ídolo da modalidade nos EUA. Com 19 temporadas disputadas e integrante do Hall da Fama da MLB, Barry Larkin foi astro do Cincinatti Reds. Durante uma visita de intercâmbio no Brasil, ele gostou do país, dos jogadores e se ofereceu para treinar de graça a equipe e é considerado peça fundamental da ascensão do time.
Sem pretensões no Japão, o objetivo é dar experiência aos jogadores ao lado dos melhores atletas do mundo e ajudar a sustentar por mais tempo o bom momento do beisebol nacional.






