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Bola oval desafia amadorismo no Brasil

Empresário cria liga nacional, contrata 270 jogadores e investe perto de R$ 5 milhões para alavancar esporte

Lance de partida do Brasileiro com o Coritiba Crocodiles | Bruno Covello/ Gazeta do Povo
Lance de partida do Brasileiro com o Coritiba Crocodiles (Foto: Bruno Covello/ Gazeta do Povo)

"Você é louco", ouviu o americano Bruce Daniels, 38 anos, quando informou à esposa, no ano passado, que encabeçaria o primeiro grupo a investir em futebol americano profissional no Brasil. Um ano depois, apesar da loucura, a Liga de Futebol Americano (LFA) começa a sair do papel.

O primeiro passo foi dado no último domingo, com o draft que definiu a maior parte do elenco dos seis times participantes da edição de estreia. Missão Paraná, Rio Atlântico, Tropa SC, Bravo Oeste e Dínamo SP e Bandeira Paulista, como serão chamadas as equipes de Curitiba, Rio de Janeiro, Florianópolis, Cuiabá e São Paulo – que terá duas.

As agremiações ainda vão completar seus grupos com sete atletas estrangeiros cada antes da largada, em 21 de setembro. A final será em 4 de novembro.

Por três meses, os 270 jogadores serão contratados pelas regras da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e receberão salários entre R$ 500 e R$ 900. Ao todo, contando comissões técnicas, organização e até as tradicionais líderes de torcida, serão cerca de 400 empregos diretos. Passagens (avião e ônibus) e estadia dos times também estão a cargo da liga. Todos os duelos serão disputados em uma arena para 5 mil pessoas a ser montada no Parque Villa-Lobos, em São Paulo.

O investimento total no primeiro ano deve bater a casa dos R$ 5 milhões. Muito provavelmente com prejuízo. "Nosso plano de negócios não prevê lucro nos dois primeiros anos", confirma o empresário Marcelo de Paulos, 41, sócio de Daniels na LFA.

Mas a aposta no esporte é alta. Tanto que o canal a cabo SporTV acertou contrato de transmissão por três anos. Em 2013, serão pelo menos dez duelos mostrados ao vivo. O lutador Anderson Silva também está envolvido no negócio e deve servir como garoto-propaganda da LFA. Quatro patrocinadores estão em estágio avançado de negociação. "A ideia é fazer quem ligar a televisão não acreditar que está vendo algo que está acontecendo no Brasil", espera Paulos, ex-gerente da agência de marketing esportivo 9ine.

"O futebol americano cresceu muito desde o primeiro jogo full pads [com todas as proteções, em 2008]. Isso mostra que há uma demanda orgânica aqui. Gente querendo praticar e também ver", acrescenta Daniels.

O americano desembarcou no Brasil em 2005 para trabalhar com imóveis. Quando se deu conta da dimensão do futebol americano no país – atualmente existem cerca cem times amadores – ele resolveu encarar a loucura de frente e se dedicar ao esporte que praticou na universidade.

Inicialmente a LFA controlará todos os times, mas o projeto é vender os direitos de operação, transformando-os em ‘franquias’ no estilo americano, a exemplo das principais ligas esportivas nos EUA.

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