
País emergente, sede da próxima Copa do Mundo e dos próximos Jogos Olímpicos de Verão, o Brasil será coadjuvante nos Jogos Olímpicos de Inverno, que começam nesta sexta-feira, em Sochi, na Rússia. Apesar de contar com sua maior delegação desde que estreou na maior competição de esportes na neve do mundo, os 13 brasileiros são apenas 0,5 % dos 2,5 mil atletas de 80 países competindo até o dia 23 de fevereiro em 98 provas.
INFOGRÁFICO: 13 atletas brasileiros participarão dos Jogos de Inverno
A meta do Brasil em Sochi é gelada: um pódio é bem-vindo, claro, mas não será surpresa se não vier. Com um histórico de participações ainda recente (a estreia foi em 1992) e um perfil ainda mais próximo ao amadorismo além de diminuta, a delegação ainda é formada majoritariamente por atletas vindos de outras modalidades, que viram na migração a oportunidade de realizar o sonho da participação em uma Olimpíada a intenção principal é consolidar a presença do país na competição multiesportiva e criar uma base para as próximas.
O exotismo da participação brasileira na Rússia vai além da óbvia falta de tradição do país em esportes no frio chega a soar estranho falar em competir em temperaturas abaixo de 0°C justamente quando o país passa por uma das maiores ondas de calor dos últimos anos. Parte da limitada participação ainda é resultado de investimento financeiro proporcional ao clima gelado nas competições.
Nos últimos quatro anos, foram R$ 8,7 milhões repassados às confederações de Desportos de Neve (CBDN) e Desportos no Gelo (CBDG), via Lei Agnelo/Piva, patrocínios e convênios com o Ministério do Esporte.
Comparativamente, uma única modalidade de esporte de verão consegue captar mais do que isso em um único ano: em 2013, só em convênios com o Ministério do Esporte, a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) recebeu R$ 14 milhões.
Bobsled
A formação da equipe masculina de bobsled é um dos pontos mais marcantes da delegação. Depois de ficar de fora da disputa dos Jogos de Vancouver (2010), o time conseguiu a classificação para este ano com muito sacrifício. Comemora pela primeira vez ter um trenó próprio (nas edições anteriores, o equipamento era alugado de outros países), comprado usado da seleção de Mônaco. Competirá com máquinas projetadas pela BMW para a seleção dos Estados Unidos; pela Ferrari, para a Itália e a Audi para os suíços descerem 1.500 m praticamente às cegas a 150 km/h.
O time é formado pelo veterano e ex-decatleta Edson Bindillatti, 34 anos, em sua terceira Olimpíada. Os demais passaram por uma seletiva no início de 2013. Entre os pré-selecionados estava o saltador paranaense Jadel Gregório, que acabou de fora.
O quarteto foi completado com o pedreiro e ex-decatleta Odirlei Pessoni, 30 anos, o personal trainer Fábio Silva, 36, e Edson Martins, 24, que trocou as provas de 110 metros com barreiras pelos treinos com carrinho de carregar colchões e de supermercado.



