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Medalhas

Brasil prevê desempenho modesto nos Jogos Olímpicos de Inverno

Com ‘recorde’ de apenas 13 atletas, sem tradição em esportes na neve e orçamento pífio, país mira sonho distante de subir uma vez ao pódio em Sochi

Esquiadores realizam inspeção na pista antes de treinamento do esqui livre em Sochi | Mike Blake/ Reuters
Esquiadores realizam inspeção na pista antes de treinamento do esqui livre em Sochi (Foto: Mike Blake/ Reuters)

País emergente, sede da próxima Copa do Mundo e dos próximos Jogos Olímpicos de Verão, o Brasil será coadjuvante nos Jogos Olímpicos de Inverno, que começam nesta sexta-feira, em Sochi, na Rússia. Apesar de contar com sua maior delegação desde que estreou na maior competição de esportes na neve do mundo, os 13 brasileiros são apenas 0,5 % dos 2,5 mil atletas de 80 países competindo até o dia 23 de fevereiro em 98 provas.

INFOGRÁFICO: 13 atletas brasileiros participarão dos Jogos de Inverno

A meta do Brasil em So­­chi é gelada: um pódio é bem-vindo, claro, mas não será surpresa se não vier. Com um histórico de parti­­cipações ainda recente (a estreia foi em 1992) e um perfil ainda mais próximo ao amadorismo – além de diminuta, a delegação ainda é formada majoritariamente por atletas vindos de outras modalidades, que viram na migração a oportunidade de realizar o sonho da participação em uma Olimpíada – a intenção principal é consolidar a presença do país na competição multiesportiva e criar uma base para as próximas.

O exotismo da participação brasileira na Rússia vai além da óbvia falta de tradição do país em esportes no frio – chega a soar estranho falar em competir em temperaturas abaixo de 0°C justamente quando o país passa por uma das maiores ondas de calor dos últimos anos. Parte da limitada participação ainda é resultado de investimento financeiro proporcional ao clima gelado nas competições.

Nos últimos quatro anos, foram R$ 8,7 milhões repas­­sa­­dos às confederações de Des­­portos de Neve (CBDN) e Desportos no Gelo (CBDG), via Lei Agnelo/Piva, patro­­cínios e convênios com o Mi­­nistério do Esporte.

Com­­parativamente, uma única modalidade de esporte de verão consegue captar mais do que isso em um único ano: em 2013, só em convênios com o Ministério do Esporte, a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) recebeu R$ 14 milhões.

Bobsled

A formação da equipe masculina de bobsled é um dos pontos mais marcantes da delegação. Depois de ficar de fora da disputa dos Jogos de Vancouver (2010), o time conseguiu a classificação para este ano com muito sacrifício. Comemora pela primeira vez ter um trenó próprio (nas edições anteriores, o equipamento era alugado de outros países), comprado usado da seleção de Mô­­naco. Competirá com máquinas projetadas pela BMW para a seleção dos Estados Unidos; pela Ferrari, para a Itália e a Audi para os suíços descerem 1.500 m praticamente às cegas a 150 km/h.

O time é formado pelo veterano e ex-decatleta Edson Bindillatti, 34 anos, em sua terceira Olimpíada. Os demais passaram por uma seletiva no início de 2013. Entre os pré-selecionados estava o saltador paranaense Jadel Gregório, que acabou de fora.

O quarteto foi completa­­do com o pedreiro e ex-decatleta Odirlei Pessoni, 30 anos, o personal trainer Fá­­bio Silva, 36, e Edson Mar­­tins, 24, que trocou as provas de 110 metros com barreiras pelos treinos com carrinho de carregar colchões e de supermercado.

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