
Mundo afora, o curitibano Emanuel é conhecido como Rei Emanuel. Aos 40 anos, dono de 149 títulos no vôlei de praia e três medalhas olímpicas, ele chama para si mais um novo cargo: embaixador.
Depois de se tornar o homem que mais subiu ao topo do pódio em competições em seu esporte e às vésperas de encerrar mais uma parceria vitoriosa (hoje, em Santa Catarina, decide um título pela última vez ao lado do capixaba Alison, com quem foi campeão mundial em 2011 e prata na Olimpíada de Londres-2012), o curitibano se prepara para trocar as areias pelo posto de dirigente. Não sem antes passar sua experiência aos mais jovens jogadores.
Emanuel havia deixado o final de 2013 para definir as metas do ciclo olímpico até 2016. A lista do rei/embaixador ficou assim: "Meu projeto inicial é que eu quero que a seleção de praia dê certo. Ela significa uma motivação para os atletas de categorias de base. Isso, para mim, quer dizer futuro para o vôlei de praia brasileiro. Outro objetivo é jogar com um atleta mais novo para passar experiência, como se eu fosse um embaixador. O terceiro objetivo é continuar vencendo", contou o curitibano, durante a rápida passagem por Curitiba nesta semana, para visitar as 1,2 mil crianças do projeto de iniciação ao voleibol que mantém em parceria com Giba.
Em paralelo aos treinos e competições, o paranaense reserva dois dias da semana para cursos e compromissos de política esportiva. "Há dois anos venho me preparando, tenho feito cursos de gestão. Penso em assumir um cargo no Comitê Olímpico Brasileiro [COB] ou na Confederação Brasileira de Vôlei [CBV]. Estou me engajando extraquadra porque tenho experiência para contribuir, mas também tenho de aprender", conta. Ele faz parte da Comissão de Atletas do COB e da Agência Mundial Antidoping (WADA).
Na passagem por Curiti¬¬ba, não quis falar sobre quem seria o novo parceiro. "Tenho algumas opções, mas vou confirmar com quem vou jogar depois deste fim de semana. Antes, jogo com o Alison pelo Circuito Brasileiro em São José (SC)", contou. Os mais prováveis são jogadores novos e em ascensão, como Evandro (23 anos) e Vitor (22 anos) ou Álvaro (23 anos), este vice-campeão mundial ao lado de Ricardo.
"A seleção brasileira está em um processo de renovação, em que temos dois atletas mais velhos, eu e o Ricardo [38 anos], a geração do Pedro Solberg, do Bruno Schimidt e do Alison, entre 27 e 28 anos, que chega forte pelo pódio nos Jogos do Rio e essa geração mais nova, que vai ganhar experiência", diz Emanuel.
Para ele, as batalhas nas areias não são mais entre brasileiros e norte-americanos. Por isso, defende o sistema de seleção permanente, imposto este ano pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e que gerou críticas dos atletas. "Neste primeiro ano, aprendemos que os jogadores têm de se aprimorar mais em sua técnica individual para depois formar os melhores times. É um modelo que os Estados Unidos, Alemanha e Holanda já adotam. Nos últimos três anos, as equipes holandesas cresceram muito. Tanto que são de lá os atuais campeões mundiais, Brouwer e Meeuwsen. E os alemães geralmente surpreendem, por seguirem metodicamente suas linhas de treinamento", finaliza.







