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Futebol americano: retratos de uma final

Veja ensaio fotográfico do Paraná Bowl VIII: vitória do Paraná HP sobre o Coritiba Crocodiles, por 14 a 0. Trabalho do fotógrafo Henry Milléo para a Gazeta do Povo

 | Henry Milleo/Gazeta
(Foto: Henry Milleo/Gazeta)

Choveu e o constante pisoteio das chuteiras transformou tudo em um lamaçal. No campo 22 jogadores se encaravam olho no olho por trás dos capacetes. Com as cabeças enfiadas nos ombros protegidos por uma armadura os atletas lembravam aríetes prontos para serem arremessados contra os portões de um castelo a ser conquistado.

A bola era oval, arremessada e não chutada. As trombadas e empurrões não eram falta, faziam parte do jogo, mas volta e meia um pedaço de tecido amarelo com um contrapeso como um pequeno paraquedas era arremessado pelos juízes, indicando algum tipo de infração. VEJA como foi o jogo

Dentro do campo Quarterback, Wide Receiver, Running Back, Fullback, entre tantas outras denominações distintas para cada função no jogo, dividiam espaço sempre de olho no pedaço de couro marrom posto no chão e seguro por uma mão enluvada, pronto para ser passado para trás instantes antes de uma jogada começar.

O campo é medido em jardas, a trave fica no alto em forma de um grande U e não há goleiro. Primeiro down, segundo down, terceiro down são apenas passos do objetivo final que é o touchdown –o gol.

A cada embate o chão era pisado com a força de um bate-estacas, firmando o corpo para o choque iminente enquanto a bola flutuava pelo ar em um arremesso que buscava as mãos do receptor.

Fora das quatro linhas os reservas, a torcida, o pessoal de apoio, todos ficavam de olho no desenrolar da correria e dos encontrões a cada jarda conquistada ou perdida.

Nos bancos de reserva os atletas esperavam sua hora, com a roupa já suja da lama e os capacetes não menos sujos repousando nas cadeiras ou ao lado do corpo, seguros pela mão enquanto os olhos permanecem estáticos dentro das quatro linhas.

Os contundidos em uma jogada mais dura eram carregados para lateral pelos companheiros. Vinham mancando mas garantindo que podiam retornar, sem tirar os olhos da partida. Fora do campo deitavam na grama e ganhavam um banho de água nos joelhos ou ombros, mas logo voltavam para a partida, saudados por seus companheiros. O jogo é gringo, mas a raça é tupiniquim.

Tudo isso em um domingo qualquer.

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