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Vôlei

Genros de Ary Graça tiveram contratos com a CBV

Casados com filhas de ex-presidente, empresários fabricaram uniformes de torcidas e prestaram serviços de televisionamento para entidade, que enfrenta denúncias de corrupção

Presidente da FIVB, Ary Graça, firmou contrato com genros quando era presidente da CBV, de onde renunciou em 2012 e é alvo de denúncias de corrupção | Mohammed Dabbous / Reuters
Presidente da FIVB, Ary Graça, firmou contrato com genros quando era presidente da CBV, de onde renunciou em 2012 e é alvo de denúncias de corrupção (Foto: Mohammed Dabbous / Reuters)

Dois genros de Ary Graça, ex-presidente da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei), foram beneficiados em contratos com a entidade.

Segundo reportagem publicada nesta sexta-feira (8) no site da ESPN, Bruno Freire Moreira e Bruno Beloch assinaram acordos com a CBV enquanto Graça era o mandatário dela.

Atualmente, Ary Graça é presidente da FIVB (Federação Internacional de Vôlei).Moreira, que é casado com Roberta da Silva Graça, filha do dirigente, abriu em 19 de março de 2010 a Acquatic Confecção de Artigos do Vestuário Ltda. Poucos meses depois, a empresa recém-criada obteve um grande contrato com a CBV, para produção de camisas de torcidas em jogos das seleções brasileiras e para o circuito de vôlei de praia.

Beloch, casado com Fabiana da Silva Graça, é um dos sócios da LG Video, que faz transmissão de jogos para a CBV (sob o nome fantasia de "eventosaovivo").

Além da transmissão dos eventos da entidade brasileira, a empresa da qual Beloch é sócio também produz conteúdo para o site da Confederação Sul-Americana de vôlei, da qual Ary Graça foi presidente entre 2003 e 2012.

Ação na natação

Os serviços de transmissão da "eventosaovivo" também foram contratados pela CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos).

O órgão que rege a natação nacional criou a TV CBDA e, inclusive, indicou Beloch para apresentar o projeto da TV CBDA ao lado do medalhista olímpico Djan Madruga. Os convênios do Ministério do Esporte com a CBDA eram fiscalizados pela CBV.

A CBV também venceu licitação para receber um encontro nacional de técnicos da CBDA, em 2009.

Nem a CBV nem a CBDA responderam à ESPN sobre os questionamentos.

Pôlemica

Ary Graça renunciou em março ao cargo de presidente da CBV, que ocupava desde janeiro de 1997. Em nota, ele negou todas acusações e disse que sua saída do cargo não estava relacionada às denúncias.

Nas semanas que antecederam à renúncia, o site da ESPN revelou irregularidades em contratos envolvendo duas empresas de dois ex-dirigentes da CBV (ambos ligados a Graça), que receberam R$ 10 milhões cada uma em comissões para intermediação de contratos.

Uma das envolvidas é a S4G Gestão e Negócios, de Fábio Azevedo, diretor-geral da FIVB. A CBV diz que a empresa recebeu R$ 2,9 milhões. O contrato, de cinco anos, foi rescindido em 30 de julho de 2013.

Outra denunciada, a SMP Logística e Serviços, também com contrato de R$ 10 milhões, recebeu R$ 2,6 milhões até outubro de 2013. O contrato está suspenso. As denúncias levaram à renúncia do ex-superintendente geral da CBV, Marcos Pina, dono da empresa.

Walter Pitombo Laranjeiras, conhecido como Toroca, assumiu a presidência da CBV em março e tem como vice o paraibano Potengi Holanda de Lucena.

A CBV confirmou pagamentos feitos a ex-dirigentes da entidade, após auditoria feita pela empresa PriceWaterhouseCooper sobre os contratos colocados em xeque após denúncias feitas pela ESPN Brasil, em fevereiro.

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