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Guga agradece a mãe nos 15 anos da conquista do topo do mundo

Gustavo Kuerten hoje toca projetos sociais. | ANDRE RODRIGUES/Gazeta do Povo
Gustavo Kuerten hoje toca projetos sociais. (Foto: ANDRE RODRIGUES/Gazeta do Povo)

Nos braços da mãe, Alice Kuerten, Guga encontrava consolo. A derrota para Andre Agassi no primeiro jogo do Masters Cup de 2000, em Lisboa, Portugal, foi avassaladora. O jogo não saía da cabeça do tenista. O erros da partida mexeram com a confiança do catarinense. A noite foi longa, Gustavo Kuerten só foi dormir às 4h, no colo da mãe. Poucas palavras foram trocadas. Não havia frases de incentivos nem de cobrança, apenas carinho e amor, tudo aquilo que apenas uma mãe pode dar ao filho.

“Eu sentia uma dor imensa depois da derrota, principalmente a sensação de terminar o ano com o desgosto de ver o número 1 tão perto e escorrer pelas minhas mãos. Naquele ato de afeto, ela conseguiu reacender essa chama”, recorda, emocionado, Guga, que nesta quinta (3), completa 15 anos de seu maior feito: chegar ao topo do ranking mundial ao conquistar o torneio com os oito melhores do mundo em Portugal.

Atrás de um tenista existe um staff com técnico, preparador físico, entre outros, mas no fim das contas o que importa é a luta dentro de quadra, quando o atleta está sozinho. É um esporte que demanda força mental – a confiança é essencial para acertar a bola no outro lado da quadra sucessivas vezes ao longo de uma partida. Era isso que o catarinense recuperou nos braços de Alice.

Kuerten tinha sofrido uma lesão na derrota para Agassi. As costas doíam demais. Depois de certo suspense se continuaria ou não no torneio, o então número 2 do mundo foi à quadra mais três vezes até chegar à final contra o americano, outra vez. Antes da revanche com o 8º do ranking, o catarinense derrotou Magnus Norman, Yevgeny Kafelnikov e Pete Sampras, o último pela primeira vez na carreira.

Em 3 de dezembro de 2000, um confiante e predestinado Manezinho da Ilha – como Guga também era chamado – entrou em quadra para presentear os fãs de tênis com uma atuação espetacular que deixou Agassi atordoado. No final, o brasileiro aplicou um triplo 6/4 no americano. Foi a consagração de Guga. Em cinco anos entre os profissionais, o brasileiro atingia o topo do mundo, feito que o elevava ao mesmo patamar de ídolos como Pelé e Ayrton Senna.

“O tenista excepcional já existia em mim, mas precisava trazer o garoto de Floripa de volta. Minha vida seria transformado por completo se terminasse a minha carreira com o número 2 do mundo, que também é extraordinário. Conquistar essa cerejinha no bolo, o número 1, teve um incômodo desnecessário. Mas a mãe, através de um cafuné, fez tudo mudar. Que bom ter a minha família do meu lado. Sem eles lá, não conquistaria o título”, afirma o eterno número 1 do Brasil.

Novos ídolos

Em novembro, o Brasil voltou a ter um melhor do mundo no tênis, quando Marcelo Melo assumiu a liderança do ranking de duplas. Apesar de a repercussão do feito não ser igual à da conquista de Guga há 15 anos, o país tem uma nova oportunidade para desenvolver o esporte.

“Hoje a confederação está muito mais estruturada do que na época do Guga. Com certeza vamos aproveitar isso ao máximo para aumentar a prática do tênis. Isso seria muito bom para o esporte brasileiro”, espera Melo.

A melhor estrutura oferecida pela Confederação Brasileira de Tênis é sustentada pelo patrocínio dos Correios. “Hoje temos mais investimentos no tênis se comparar com a época em que o Guga ainda jogava”, diz Thomaz Bellucci, o melhor brasileiro no ranking (37º).

Em 2015, a CBT também firmou uma parceria com a Federação Francesa de Tênis em busca de melhorias não só com atletas. “”Estudamos o modelo de gestão da área de Roland Garros e estamos utilizando como base para apresentarmos o plano de absorção do legado olímpico para depois do Rio-2016”, diz Jorge Lacerda, presidente da CBT.

É fato que o Brasil não aproveitou a empolgação criada pelos títulos de Guga, mas o maior tenista da história do país continua inspirando a evolução do esporte. O ex-campeão espalhou pelo Brasil 30 unidades da Escolinha Guga Kuerten, que atende crianças de cinco a 10 anos. “Em alguns anos poderemos ter 70 escolinhas. E a longo prazo, daqui a 20 anos podemos estar falando de quantos tenistas vamos ter no top 10”, diz Guga.

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