
Castigado pela estrutura precária, falta de ídolos e um imenso vácuo desde a aposentadoria de Gustavo Kuerten, em 2008, o tênis brasileiro engatinha uma guinada. Pelo menos fora das quadras. Impulsionado pela presença do multicampeão Rafael Nadal, o país voltou ao cenário internacional com a realização do Brasil Open, em São Paulo a decisão será hoje, a partir das 13 horas, entre o próprio Nadal e o argentino David Nalbandian.
Independentemente de quem levantar o troféu do único torneio da série ATP disputado por aqui, o tênis nacional tem muito a comemorar. Atrelado à presença do espanhol heptacampeão de Roland Garros, em recuperação depois de oito meses parado por causa de lesão no joelho, os paulistanos compraram a ideia do torneio. O público lotou o Ibirapuera em plena terça-feira de carnaval para ver a estreia do convidado de honra, ao lado do argentino rival desta tarde, na vitória sobre os espanhóis Pablo Andujar e Guillermo García López, nas duplas.
E voltou a encher as arquibancadas em todos os momentos em que Nadal entrava em quadra. "A gente sabia que desde o anúncio da presença do dele [Nadal] a procura por ingressos iria aumentar. E aconteceu. A movimentação foi maior que no ano anterior, desde a primeira rodada, com estádio sempre lotado. É difícil de acontecer isso, até mesmo nos grandes torneios do mundo. Aqui foi uma grata surpresa", afirmou o gerente do Brasil Open, Roberto Burigo.
A meta agora é dar o passo seguinte. Passar para dentro da quadra, já que Brasil, definitivamente, não teve sucesso nessa edição. Nenhum brasileiro chegou às quartas de final no simples. João Souza, o Feijão, foi derrotado pelo próprio Nadal na quinta-feira. Número 1 do país e 35 do mundo, Thomaz Bellucci foi batido com certa facilidade pelo italiano Fillipo Volandri.
"Durante muito tempo o grande problema das competições no Brasil foi a presença de poucos jogadores de renome mundial. E agora, em três meses, tivemos três campeões aqui. Primeiro o [Novak] Djokovic, depois o [Roger] Federer [em eventos promocionais] e agora o Nadal. Isso é de extrema importância para o desenvolvimento do tênis do Brasil", afirmou o ex-jogador Fernando Meligeni, comentarista dos canais ESPN.
Procurada pela reportagem para comentar o assunto, a Confederação Brasileira de Tênis (CBT) não quis se manifestar.



