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Transparaná

Rali faz 20 anos com novo perfil de jipeiros

Com poucas semelhanças em relação à primeira edição, em 1995, prova começa hoje em Foz com 61 equipes

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"No meu tempo, jipeiro usava bota e luva de lona, ia para a lama; os de hoje usam sapatilha e luva de pelica, para correr", compara o empresário aposentado Luiz Felipe Munhoz Campelo, 67 anos. A frase, que parece uma provocação, na verdade aponta a mudança no perfil dos competidores off-road nas últimas décadas.

INFOGRÁFICO: Veja algumas curiosidades da prova

Ele acompanhou de perto essa evolução. Em 1995, Campelo e um grupo de amigos davam a largada do primeiro Transparaná, que hoje completa 20 anos e é o principal raid – prova de regularidade em percurso desconhecido, fora da estrada, passando por trilhas, estradas rurais, exclusivo para veículos 4x4 – das Américas.

Com 61 equipes, a atual edição da competição começa hoje com a primeira etapa em Foz do Iguaçu. É o Super Prime, a partir das 15 horas, uma volta de cerca de dois quilômetros que define a ordem de largada de amanhã para o trecho entre Foz e Cascavel.

Atualmente, a prova paranaense é disputada por veículos mais potentes e velozes dos que os que Campelo dirigia quando se sentiu estimulado a promover um raid estadual, na década de 1980. "No nosso tempo, tínhamos de descer do carro e desatolar o jipe mesmo. Alta velocidade, muitas vezes, não era acima de 40 km/h. Agora, é mais na velocidade, chegam a 140 km/h em terreno acidentado. Mas levou quase dez anos para que conseguíssemos organizar o primeiro Transparaná, em 25 de janeiro de 1995", lembra.

Em 20 anos, a prova ganhou em extensão e dificuldade. Nos três primeiros anos, o percurso total tinha em torno de 680 km e já chegou a 2 mil km. Neste ano, serão 1,5 mil km percorridos em sete dias.

"O roteiro está bastante desafiador e exigirá muita navegação. 70% das trilhas são inéditas. Passaremos por riachos, áreas de reflorestamentos e trilhas. Nos primeiros dias, além das adversidades de terreno, colocamos diversos laços [dificuldades no mapa] para avaliar a habilidade e entrosamento das duplas [pilotos e navegadores]", conta o diretor de prova, Alex Kolling. A chegada está prevista para o início da tarde do sábado, 1.° de fevereiro, em Guaratuba.

Neste ano, a corrida também passará por Cam­­po Mourão, Ivaiporã, Ponta Grossa e Curitiba. No passado, outras cidades, como Londrina, Maringá e Guaíra, receberam etapas da prova. "São muitas histórias. Teve um ano que um grupo de sem-terras ocupou uma fazenda e não queria nos deixar passar. Nem a polícia estava autorizada a entrar. Foi um sufoco até negociarmos para não interromper o raid. Seria um grande problema", diz Campelo, que teve de deixar a organização do evento a pedido da família, mas segue acompanhando, mesmo à distância, os resultados de cada edição do Transparaná.

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