
Número 100 do mundo. Esse era o objetivo para 2013 que a tenista Teliana Pereira conquistou nesta semana. Com a atualização do ranking mundial feminino na segunda-feira e com a queda de Thomas Belucci para a 115.ª posição entre os melhores jogadores do masculino, a pernambucana radicada em Curitiba também é a brasileira com a melhor campanha internacional nas quadras.
Ela quebrou um jejum de 23 anos a última vez que uma brasileira figurava no Top 100 do tênis mundial foi Andrea Vieira, quando ocupou a 95.ª posição por uma semana, em abril de 1990. Apenas outras três tenistas do país haviam ficado entre as cem melhores do planeta: a curitibana Gisele Miró e Niege Dias, ambas em 1988, e Maria Ester Bueno, entre 1959 e 1960. Todas tinham menos de 22 anos. "Hoje as tenistas estão conseguindo chegar mais velhas a postos mais altos. E, no meu caso, me considero ainda com 23,5 anos. Não conto o 1,5 ano que fiquei fora das quadras me recuperando da lesão no joelho", diz Teliana, 25 completados há 11 dias.
Em 2009, ela começou a ter problemas no joelho direito, que exigiram cirurgias e um longo processo de recuperação. Perdeu patrocínios e posições no ranking mundial. A demora em retornar às quadras levantou dúvidas de que iria retomar o status de promessa da modalidade (em 2007, foi bronze nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, jogando em dupla com Joana Cortez).
No período mais crítico, rifou raquetes. "Apesar de todas as dificuldades, nunca duvidei que iria voltar a jogar bem. Isso graças às pessoas que tenho a meu lado. Claro que fiquei muito feliz em atingir minha meta, espero que isso abra mais portas para mim e para outras atletas do Brasil". fala.
Teliana é de uma família que vive o tênis. Quando seu pai, José Pereira, veio para Curitiba, deixando a vida de boia-fria no sertão pernambucano, foi contratado para cuidar da manutenção da academia de tênis de Didier Rayon. Depois, trouxe a mulher e os sete filhos para a capital paranaense. As crianças trabalhavam de boleiros dos alunos e logo começaram a jogar com raquetes emprestadas. Hoje, Renato, um dos irmãos, é o técnico de Teliana.
Ela fica junto da família até a próxima quarta-feira, quando embarca para competir nos Estados Unidos, onde começa a temporada em piso duro. Na agenda, estão disputas em Cincinnati e New Haven, preparatórios para tentar encerrar outro jejum nacional: quer uma vaga no US Open. Se conseguir, será a primeira brasileira em 20 anos a disputar um torneio do Grand Slam na categoria principal. Por sua posição atual no ranking, precisa da desistência de três jogadoras pré-classificadas para não ter de disputar o qualifying.
Neste ano, ela ficou a um jogo para fase principal de Roland Garros. O "quase", contudo, lhe deu mais experiência, diz. "Minha melhora em quadra é principalmente mental. Boa parte por acompanhar a rotina das melhores do mundo e estar entre elas. No último jogo do qualifying em Roland Garros, acabei pensando demais que a classificação estava próxima e não joguei tão bem. Mas tudo tem seu tempo."
Revés
Em péssima fase na carreira, o tenista brasileiro Thomaz Bellucci foi derrotado novamente ontem. Número 115 do mundo, ele foi eliminado logo na estreia do Torneio de Kitzbuhel, na Áustria, ao perder uma batalha para o espanhol Guillermo García López, 72º colocado no ranking da ATP, por 2 sets a 1, com parciais de 6/7 (1/7), 6/3 e 7/6 (7/4), em 2 horas e 51 minutos de jogo. Essa foi a quarta derrota consecutiva de Bellucci, a terceira na estreia de um torneio.



