
Por muitos anos a academia curitibana Chute Boxe foi referência mundial no vale-tudo. Formou atletas de alto nível, acumulou títulos e ganhou fama internacional. Tudo baseado em um espírito agressivo de muay thai dentro do ringue. Agora, dois dos maiores expoentes desse estilo se reencontram em Curitiba para conseguir novos nocautes no UFC.
Com residência fixa em Las Vegas, nos EUA, desde 2007, Wanderlei Silva voltou à sua cidade natal para finalizar a preparação para o combate contra o norte-americano Rich Franklin no UFC 147, no dia 23 de junho, em Belo Horizonte. Não por acaso, o lutador de 35 anos escolheu treinar ao lado de Maurício Shogun Rua, seu amigo e ex-parceiro de treinos na Chute Boxe.
"Sei que não vou pegar um cara tão duro quanto ele na hora da luta", analisa Silva, o Cachorro Louco. "O Shogun é um atleta completo, bom em pé, bom no chão, bom de queda, forte... Para dizer bem a verdade, não é muito agradável treinar com o Shogun. Às vezes, vou pra casa meio chateado...", brinca o lutador, fazendo referência ao alto nível técnico do parceiro de treinamento.
Para Shogun, 30 anos, que volta ao UFC no dia 4 de agosto, contra o norte-americano Brandon Vera, o pensamento é o mesmo. Além de poder treinar com um ídolo, o suor extra será recompensado quando o gongo soar de verdade. "Se eu aguentar o Wanderlei, sei que na luta vai ser mais tranquilo, mais fácil do que no treino", elogia o ex-campeão dos meio-pesados do UFC.
O encontro dos "velhos tempos" fica ainda mais evidente se olharmos para o estafe dos lutadores. André Dida e Rafael Cordeiro, que comandam os treinos de Shogun e Wanderlei, respectivamente, também foram forjados na academia de Rudimar Fedrigo. Parceria que promete funcionar. "Os dois juntos no tatame sempre deram resultado positivo na luta. Como eles se conhecem muito bem, sabem os pontos fortes do outro, sempre vão no máximo", confirma Dida, líder da academia Evolução Thai.
Apesar da longa amizade entre Shogun e Wanderlei, no rigue não há moleza. E, mesmo para um veterano, o aprendizado continua. "Em todo treino, a gente aprende. Quando treino com o Shogun, por exemplo, ele faz um movimento que me chama atenção, um chute, um soco, aí eu copio isso e uso nos outros", fecha Wanderlei, que ganhou o reforço do peso-pesado do UFC, Fabrício Werdum, e do participante do TUF Brasil, Serginho Morais, na preparação para o duelo contra Franklin.




