
Um dos maiores jogadores de vôlei de todos os tempos e três vezes medalhista olímpico, o tricampeão mundial Giba anunciou ontem, em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, que está encerrando a carreira. O ponteiro, natural de Londrina, estava sem clube desde março, quando passou três meses jogando pelo Al Nasr, de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. "O sentimento é de dever cumprido", assegurou.
Na reportagem, ele não explicou os motivos da aposentadoria, anunciada aos 37 anos. Na matéria, Giba chorou bastante, relembrou situações marcantes de carinho dos fãs e a polêmica do doping de 2002 testou positivo para maconha, foi suspenso por oito jogos no ano seguinte e teve forças para dar a volta por cima.
Giba foi um dos protagonistas de um período extremamente vitorioso da seleção brasileira de vôlei masculino. Começou a mostrar serviço em 1993, liderando o time campeão mundial infanto-juvenil. Foi o começo de uma trajetória vitoriosa com três medalhas olímpicas (ouro em Atenas 2004, prata em Pequim 2008 e Londres 2012) e o posto de ídolo.
Nos últimos anos, contudo, sua carreira esteve longe dos momentos gloriosos. Entre 2012 e 2013 acumulou passagens apagadas por Taubaté (apenas um mês) e Drean/Bolívar, da Argentina, onde também teve de lidar com salários atrasados. Em novembro de 2013, trocou o Taubaté pelo Al Nasr, dos Emirados Árabes. Até ontem, evitava falar sobre deixar as quadras. Em entrevista ao jornal Lance!, em julho, o jogador disse que vinha se concentrando em palestras e eventos pelo país, mas explicou que ainda buscava mercado e elegeu a Polônia como destino mais provável.
Com o fim decretado, contou que sentirá muita falta "das pessoas, dos amigos". "Das línguas que aprendi, dos lugares que conheci. Não é qualquer um que vai 16 vezes ao Japão. Nós criamos uma família na seleção. Peguei as filhas do Ricardinho no colo e agora a mais velha já tem 16 anos. Mas agora eu preciso estudar, pensar no que fazer. Estou próximo dos 40. É uma nova fase", afirmou ao site Globoesporte.com.
Agora do lado de fora das quadras, Giba cogita trabalhar com gestão esportiva, mas descartou atuar como técnico. "Acho que aí estaria voltando a fazer o que sempre fiz. Vai acabar sendo a mesma coisa. E eu quero novas experiências. Se você não estimula o cérebro, fica burro", complementou ele, que destacou ainda que sofreu muito com a distância dos filhos durante a carreira.
Em Curitiba, ele desenvolve ao lado do curitibano Emanuel, do vôlei de praia, o projeto Leões do Vôlei, que já atendeu 15 mil crianças desde 2008.
Adeus
Confira parte da carta da despedida de agora ex-jogador de vôlei:
"Desde 1989, quando comecei minha carreira de jogador de vôlei, até 2014, cresci muito. Foram 25 anos em que passei por diversas fases na vida. Cresci. [...] Ganhei e perdi. Chorei, de tristeza e de alegria, e sorri mais ainda. [...] Minha carreira não foi só de alegrias, claro. Falhei, sim. Quem não falha? Perdi. Mas me reergui. Hoje, dia 1.º de agosto de 2014, tomei uma decisão, talvez a mais dolorida até aqui. Chegou a hora de parar. Com o coração apertado, me despeço das quadras, minha casa por 25 anos. Agradeço a todos que estiveram comigo nesta caminhada e contribuíram para o sucesso, não só meu, mas do vôlei do nosso país. Isso é o que mais importa, no fim das contas. Espero ter ajudado vocês também, que tenha sido inspiração para alguns. [...] Espero que o #gibaneles fique sempre no coração de cada um."



